“O aumento de violência em Dafur, pelo menos por enquanto, é atribuível ao atual confronto militar entre o governo do Sudão e os rebeldes”, disse ao Conselho de Segurança o subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Hervé Ladsous.

Membro da UNAMID interage com uma mulher durante uma patrulha no norte de Darfur. Foto: UNAMID/ Hamid Abdulsalam
A segurança e a situação humanitária na região de Darfur, no Sudão, “se deterioraram significativamente” ao longo do último ano, alertou o subsecretário-geral da ONU para as Operações de Paz, Hervé Ladsous. A declaração foi feita em sessão no Conselho de Segurança da ONU, nesta terça-feira (17), quando Ladsous acrescentou que não houve progresso na solução pacífica do conflito.
Ele apresentou um relatório dedicado especificamente à implementação, pela Missão Híbrida da União Africana e das Nações Unidas (UNAMID), de novas prioridades estratégicas – que apontam os progressos alcançados e as dificuldades encontradas.
“O aumento da violência em Dafur, pelo menos por enquanto, é atribuível ao atual confronto militar entre o governo do Sudão e a milícias rebeldes”, declarou Ladsous, frisando que isso não está “ligado diretamente às próximas eleições do país”.
Ele alertou que podem haver mudanças, à medida que as campanhas eleitorais se intensifiquem, principalmente devido aos apelos de boicote e rompimento do processo eleitoral vindos do Sheik Musa Hilal, influente líder tribal em Darfur do Norte. Ladsous também disse que o Exército, em suas ultimas investidas, enfraqueceu bastante e isolou os grupos armados, causando “significativa perda de vidas e desalojamentos em larga escala”.
Cerca de 450 mil pessoas foram deslocadas de suas casas em 2014, como resultado da violência. Segundo Ladsous, o volume foi o maior de todos os anos desde que o conflito atingiu seu auge em 2004. Pelo menos 300 mil continuam desalojadas, a maioria em abrigos, com o total de deslocados em Darfur chegando a 2,5 milhões.