Conectividade móvel é essencial para a vida dos refugiados, diz agência da ONU

Novo estudo produzido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pela empresa de consultoria e gestão Accenture concluiu que celulares e Internet são essenciais para garantir a segurança de refugiados e seu acesso a alimentos, abrigo e água.

Um jovem refugiado sul-sudanês tenta ter um sinal em seu celular no campo de Nyumanz, em Adjumani, na região norte de Uganda. Foto: ACNUR/ Frederic Noy

Um jovem refugiado sul-sudanês tenta ter um sinal em seu celular no campo de Nyumanz, em Adjumani, na região norte de Uganda. Foto: ACNUR/ Frederic Noy

Além de ser essencial para se manter em contato com pessoas queridas, muitos refugiados encaram o acesso a um telefone celular e à Internet como sendo crucial para garantir sua segurança e acessar alimentos, água e abrigo, de acordo com um novo relatório produzido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pela empresa Accenture.

O relatório “Refugiados conectados: como a Internet e a conectividade móvel podem melhorar o bem-estar dos refugiados e transformar iniciativas humanitárias” se baseia em uma pesquisa realizada em 44 países, nos quatro continentes. O relatório evidencia que, para muitos refugiados, um dispositivo com conectividade é tanto uma ferramenta de salvação como também fundamental para a auto-capacitação.

O estudo constata que, embora a acessibilidade seja muitas vezes uma barreira para a conectividade, os refugiados que vivem em áreas urbanas tendem a ter acesso semelhante ao de outras populações urbanas. Mas em localidades rurais a situação é diferente. Apenas um em cada seis refugiados localizados em áreas rurais tem acesso a 3G, e um em cada cinco não tem nenhuma cobertura móvel — um número significativamente menor em comparação com a população em geral.

“No mundo em que vivemos hoje, conexão à Internet e smartphones podem se tornar uma ferramenta de salvação para os refugiados, um meio primordial para compartilhar informações vitais, comunicar-se com membros de famílias separadas, ter acesso a serviços essenciais e se reconectar com as comunidades locais, nacionais e globais que os envolvem”, disse Filippo Grandi, alto comissário da ONU para refugiados.

“Mais importante ainda, a conectividade pode ajudar a ampliar as oportunidades para que os refugiados tenham novas perspectivas para suas vidas e busquem construir um futuro que, sem este meio, não seria possível”, acrescentou.

Os resultados vêm em um momento em que as guerras e perseguições tiraram mais pessoas de suas casas do que em qualquer outro momento, desde que o ACNUR começou a fazer esses registros. No final de 2015, 65,3 milhões de pessoas foram deslocadas em todo o mundo, dos quais 21,3 milhões eram refugiados.

Diante de uma necessidade urgente, o estudo recomenda investimentos adicionais em três áreas principais que, juntas, formam a base de uma nova Estratégia Global do ACNUR para a Conectividade dos Refugiados. Estas áreas incluem o aumento da disponibilidade de redes móveis, a melhora da acessibilidade e fornecimento dos meios de acesso à formação, conteúdos e serviços digitais.

O relatório também identifica uma série de intervenções estratégicas para ajudar a garantir a conectividade, como a parceria com operadores de redes móveis e outras tecnologias e empresas de comunicação para melhorar a infraestrutura, propiciando investimentos dirigidos a esses serviços, permitindo um ambiente e um sistema para a prestação de serviços digital.

“Um ponto especialmente crítico para o sucesso dessa operação será o envolvimento do setor privado, especialmente as empresas de tecnologia e operadoras de redes móveis. A empresa Accenture é particularmente otimista sobre o potencial do ACNUR e da comunidade humanitária em trabalhar em conjunto com o setor privado para melhorar o bem-estar das pessoas deslocadas de forma forçada através da melhoria de conectividade”, disse Dan London, chefe executivo do setor de saúde e serviço público da Accenture.

Baseando-se no modelo de negócio da Parceria de Desenvolvimento Accenture (ADP, sigla em inglês), o relatório também identifica maneiras de envolver o setor privado para resolver o desafio da conectividade, incentivando parcerias criativas e investimentos inteligentes.

“Parcerias do setor privado são essenciais para escalar globalmente as intervenções de conectividade”, disse Roger Ford, diretor ADP. “As empresas e corporações trazem alcance global, modelos de negócios inovadores, experiência nas indústrias de comunicações e telecomunicações, relações com os reguladores do governo e os recursos financeiros e humanos, dos quais serão fundamentais para conectar população de refugiados do mundo”.