“Os líderes do Sudão do Sul permitiram que as suas ambições pessoais comprometessem o futuro de uma nação inteira”, disse o secretário-geral da ONU.

Refugiados do Sudão do Sul no acampamento Kule próximo à fronteira Pagak, na Etiópia. Foto: IRIN/Binyam Tamene
“O povo do Sudão do Sul está vivendo em um barril de pólvora“, disse o chefe da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, ao chamar a atenção da comunidade internacional para a situação “terrível” em que vivem os civis no país desde que começou o conflito há um ano.
Com o diálogo entre o governo e a oposição previsto para recomeçar nesta semana, Zeid pediu para que ambas as partes reconheçam o sofrimento causado aos civis e façam todo o possível para que através das negociações restabeleçam a calma e evitem outra catástrofe humana no país.
“A falta de esperança nos campos de deslocados é notável. São mulheres, homens e crianças que passam os dias em condições de vida terríveis”, disse Zeid.
“Mesmo após o fim do conflito, serão necessários meses ou até anos para que essas famílias sejam capazes de trazer de volta a normalidade em suas vidas”, acrescentou.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também expressou preocupação com a situação do país, ao afirmar estar “decepcionado e triste” com a falta de um acordo de paz abrangente e frisou que a “matança deve parar” imediatamente. “Os líderes do Sudão do Sul permitiram que as suas ambições pessoais comprometessem o futuro de uma nação inteira”, acrescentou.
De acordo com dados da ONU, há 1,4 milhão de pessoas deslocadas dentro do país, e outros 500 mil civis buscaram refugio nos países vizinhos. Além disso, mais de 97 mil de pessoas permanecem abrigadas nas bases da Missão da ONU no país (UNMISS).