Conflito étnico deixa moradores de Pibor, no Sudão do Sul, em situação emergencial

Cerca de seis mil jovens armados atacaram milhares de membros da etnia Murle. “Não há dúvidas de que houve vítimas”, afirmou a Coordenadora Humanitária da ONU no país.

Cabana queimada em Pibor, Sudão do Sul

Apesar do confronto entre militares do Sudão do Sul e as milhares de tribos armadas ao longo da cidade de Pibor ter abrandado, a situação humanitária na área permanece crítica, ressaltou ontem (03/01) a Coordenadora Humanitária da ONU no país, Lise Grande, após os atos de violência no início do ano.

Durante o fim de semana, milhares de membros da etnia Murle que procuravam refúgio em Pibor, no estado de Jonglei, fugiram da cidade ao serem atacados por um grupo de seis mil jovens armados da comunidade rival de Lou Nuer.

“Não há dúvidas de que houve vítimas” afirmou Lise Grande. “Eu colocaria o número em dezenas, talvez centenas, mas ainda não sabemos”. Grande disse que as forças de paz servindo na Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS),já iniciaram os resgates, evacuando civis em Pibor, além de ajudarem a deter o avanço da violência.

“Eles não estavam tendo acesso a alimentos. Eles não estavam tendo acesso à água limpa. E diversas pessoas ainda estão feridas.” Diante deste cenário, a Coordenadora ressaltou que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) já enviou a primeira parte dos suprimentos de ajuda, distribuidos para a parcela mais vunerável – crianças desacompanhadas e órfãos.

Grande também destacou que Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF),o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional para Migrações (OIM) estão reunindo um “programa emergencial de suporte massivo” para ajudarem a população neste momento.