Conflito israelo-palestino: violência pode levar à ‘catástrofe’, alerta alto comissário da ONU

“Quaisquer que sejam as queixas de ambos os lados, a violência não pode ser a resposta”, afirmou o chefe do escritório de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein. Conflitos já deixaram 58 palestinos e 11 israelenses mortos.

Pai e filho reúnem seus pertences após demolições na Cisjordânia. Foto: UNRWA

Pai e filho reúnem seus pertences após demolições na Cisjordânia. Foto: UNRWA

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou nesta quarta-feira (28) que a violência entre palestinos e israelenses pode levar ambos os povos a uma “catástrofe”, caso os confrontos não cessem imediatamente.

Segundo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), chefiado por Al Hussein, os confrontos recentes já provocaram a morte de 58 palestinos e 11 israelenses, além de deixar outros 2.100 palestinos e 127 israelenses feridos.

Para o alto comissário, as últimas tensões são movidas por temores de ambas as partes do conflito. O livre acesso ao Haram Al Sharif ou Templo da Montanha, local sagrado para os dois povos, permanece uma “questão supremamente sensível”.

“Para os palestinos e os mundos árabe e muçulmano em geral, seu medo está centrado na crescente agressividade observada em atitudes de Israel em relação ao complexo (de Al-Aqsa), que sugerem fortemente um desejo de alterar o status quo”, explicou Al Hussein, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, onde encontrou com o presidente palestino Mahmoud Abbas.

“O governo israelense diz que esse temor dos palestinos é equivocado”, continuou o alto comissário, lembrando as repetidas garantias dadas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que não há qualquer ameaça ao complexo de Al-Aqsa. As autoridades israelenses temem que palestinos estejam alimentando ressentimentos e incitando a violência, segundo o chefe do ACNUDH.

Para Al Hussein, a violência não pode ser a resposta para quaisquer que sejam as queixas de ambos os lados. O alto comissário alertou para o uso excessivo da força pelas forças de segurança israelenses, que utilizaram munição contra manifestantes palestinos durante protestos na Cisjordânia e ao longo da cerca de Gaza.

O representante da ONU afirmou que mortes extrajudiciais estão sob enorme suspeita. Da mesma forma, o alto comissário descreveu como “totalmente injustificáveis” os esfaqueamentos, tiroteios e ataques com carros direcionados a israelenses.

Segundo o chefe do ACNUDH, a ocupação dos territórios palestinos, bem como a demolição de casas e outras formas de punição coletiva realizadas pelas forças de segurança israelenses, devem cessar. “O bloqueio a Gaza tem que acabar”, afirmou. Ao mesmo tempo, “Israel deve ter sua segurança assegurada de uma vez por todas e não pode permanecer objeto de qualquer ameaça, a si ou ao seu povo”, acrescentou Al Hussein.

Após o pronunciamento do alto comissário, Mahmoud Abbas pediu que um regime especial de proteção internacional para o povo palestino fosse criado pelo Conselho de Segurança da ONU.

“Tenho notado repetidas vezes que a pressão vai gerar uma explosão e que violações cometidas por colonos e extremistas, protegidos pelas forças de ocupação israelenses, contra nossos locais sagrados islâmicos e cristãos em Jerusalém, especificamente para alterar o status quo da Mesquita de Al-Aqsa… é o que vai tornar o conflito político religioso, que terá graves consequências para todos nós”, disse o líder da Palestina.