Embora tenha havido um período de redução dos conflitos em muitas áreas da Síria – reduzindo o sofrimento humano até certo ponto –, as batalhas agora parecem estar retornando em alguns dos “dias mais sombrios” do conflito. O alerta foi feito por um representante das Nações Unidas nessa semana.
A situação é particularmente preocupante no leste de Ghouta, perto da capital Damasco, onde cerca de 400 mil homens, mulheres e crianças vivem em cidades e aldeias sitiadas. Preços extremamente altos colocaram alimentos e suprimentos básicos fora do alcance da maioria da população.

Uma criança carrega uma bolsa com lenha que ela comprou para sua família em Ghouta, cidade sitiada na Síria. Foto: UNICEF / Al Shami
Embora tenha havido um período de redução dos conflitos em muitas áreas da Síria – reduzindo o sofrimento humano até certo ponto –, as batalhas agora parecem estar retornando em alguns dos “dias mais sombrios” do conflito. O alerta foi feito por um representante das Nações Unidas na quinta-feira (9).
A situação é particularmente preocupante no leste de Ghouta, perto da capital Damasco, onde cerca de 400 mil homens, mulheres e crianças vivem em cidades e aldeias sitiadas. Preços extremamente altos colocaram alimentos e suprimentos básicos fora do alcance da maioria da população. Há temores de que as condições possam ficar muito pior à medida que o inverno se aproxima, com temperaturas extremas.
“[As pessoas atravessaram] uma guerra de sete anos, mais do que a segunda guerra mundial”, disse Jan Egeland, assessor especial do enviado especial da ONU para a Síria, a jornalistas após uma reunião do Grupo de Trabalho Humanitário em Genebra.
“Com poucas reservas, se elas existiram, sem aquecimento em suas casas e vivendo em ruínas, [para elas] será um inverno horrível”, alertou.
Desde setembro, o leste de Ghouta foi completamente isolado. A única passagem possível é por meio dos comboios humanitários que, quando conseguem chegar à região, levam comida e material médico.
Há também um número crescente de crianças severamente desnutridas, observou Egeland, pedindo às partes em conflito que permitam a evacuação médica com urgência.
Cerca de 400 pacientes – cerca de três quartos mulheres e crianças – precisam ser evacuados.
“Temos confirmação de que sete pacientes morreram porque não foram evacuados e uma lista de 29 casos críticos […], incluindo 18 crianças, entre elas as jovens Hala, Khadiga, Mounir e Bassem […] todas elas têm um nome, todas elas têm uma história, todas elas precisam ser evacuadas agora”, ressaltou.
A evacuação, no entanto, não é a solução definitiva, lembrou. Ele pediu que as batalhas e os bombardeios tenham um fim.
Além disso, o enviado da ONU informou que a situação é igualmente terrível em Berm, no sudeste da Síria, onde cerca de 55 mil civis precisam de assistência; a última vez, no entanto, que a ajuda humanitária conseguiu alcançá-los foi em junho.
Egeland também disse que um mecanismo trilateral, iniciado pela Rússia e com participação da ONU e da Síria, dá uma esperança para ajudar a resolver problemas.
“[O mecanismo] teve suas primeiras reuniões. Ainda não produziu os resultados necessários, mas é nosso forte sentimento de que a Rússia quer que possamos obter o acesso e quer nos ajudar, então esperamos que este mecanismo trilateral produza resultados em breve”, acrescentou.