Conflito no Iêmen deixa 21,2 milhões de pessoas em situação de risco e sem acesso a serviços básicos

ONU estima que 82% da população do país precise de assistência humanitária. Mais de 19 milhões de pessoas estão sem acesso à água potável e saneamento e 14 milhões podem vir a passar fome.

A Organização Mundial da Saúde já conseguiu entregar 960 mil litros de água potável para a população de Al-Mothafar, Sala e do distrito de Al-Qahera district na cidade de Taiz, no Iêmen. Foto: OMS Iêmen

A Organização Mundial da Saúde já conseguiu entregar 960 mil litros de água potável para a população de Al-Mothafar, Sala e do distrito de Al-Qahera district na cidade de Taiz, no Iêmen. Foto: OMS Iêmen

O coordenador humanitário das Nações Unidas para o Iêmen, Johannes van der Klaauw, informou nesta quarta-feira (18) que 21,2 milhões de pessoas precisam de alguma forma de assistência humanitária no país. A cifra equivale a 82% da população. Cenário atual é fruto do agravamento nos últimos sete meses dos confrontos internos, que já vitimaram mais de 32 mil pessoas, provocando a morte de 5.700 iemenitas, entre os quais, 830 mulheres e crianças.

“No geral, os serviços essenciais estão rapidamente se contraindo devido ao impacto direto do conflito e a recursos insuficientes para pagar salários ou manutenção”, afirmou van der Klaauw. Aproximadamente 14 milhões de pessoas não têm acesso suficiente à assistência médica. Desse contingente, três milhões são crianças, mulheres grávidas ou em fase de amamentação que precisam de tratamento para a má nutrição ou de serviços preventivos.

Os confrontos no Iêmen começaram em março e já chegaram a 20 das 22 províncias do país. Mais de 19 milhões de iemenitas estão sem acesso à água potável e saneamento e mais de 14 milhões enfrentam insegurança alimentar. Atualmente, 320 mil crianças são consideradas agudamente mal nutridas. Desde meados de março, 1,8 milhão de jovens saíram da escola.

De acordo com Van der Klaauw, 2,3 milhões de pessoas foram forçadas a sair de suas casas e outras 120 mil fugiram do país. As Nações Unidas e seus parceiros têm prestado assistência à população iemenita, que sofre com a redução da oferta de mercadorias, energia e serviços. Na maior parte do país, a energia elétrica é disponibilizada por menos de uma hora ao dia.

Apesar do subfinanciamento das operações de ajuda humanitária, que receberam apenas 700 milhões dos 1,6 bilhão necessário, 7,8 milhões de iemenitas receberam alimentos e outros 2,6 milhões conseguiram ter acesso a cuidados médicos. Outras 3,7 milhões de pessoas foram atendidas com serviços de saneamento e água e 97 mil crianças severamente mal nutridas foram tratadas.