Desse total, 500 mil estão grávidas e darão à luz nos próximos nove meses. A falta de serviços de saúde reprodutiva e suprimentos pode resultar em 1 mil mortes entre 68 mil grávidas que enfrentam risco de complicações no parto.

Mesmo antes do conflito atual, violência baseada em gênero era comum no Iêmen. Foto: ONU
Um ano de conflito no Iêmem deixou 3,4 milhões de mulheres em idade reprodutiva – entre 15 e 49 anos – em necessidade de assistência humanitária, segundo estimativas do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que expressou crescente preocupação com a situação no país.
Desse total, 500 mil estão grávidas e darão à luz nos próximos nove meses. A falta de serviços de saúde reprodutiva e suprimentos pode resultar em 1 mil mortes entre 68 mil grávidas que enfrentam risco de complicações no parto.
“Mulheres e crianças não têm acesso à ajuda humanitária, incluindo serviços de saúde reprodutiva, e estão, portanto, sob maior risco de gravidez indesejada o que, por sua vez, pode colocar suas vidas em risco”, disse a representante do UNFPA no país, Lene K. Christiansen, em comunicado à imprensa, completando que a situação de mulheres e meninas já era ruim no país antes do conflito, uma vez que a violência baseada em gênero era comum no Iêmen.
Até o momento, o UNFPA apoiou 38 hospitais no país, com equipamentos de saúde reprodutiva, medicamentos e suprimentos. Os kits de saúde reprodutiva contendo suprimentos médicos e cirúrgicos beneficiaram cerca de 450 mil mulheres e meninas em idade reprodutiva, ajudando a garantir a segurança dos partos, inclusive em casa.
O UNFPA forneceu mais de 100 mil kits para mulheres e meninas mais vulneráveis em 19 províncias no Iêmen para manter sua higiene íntima e menstrual.
Por meio da iniciativa lançada recentemente, denominada “Resposta Humanitária no Iêmen 2016”, o UNFPA pediu 15,6 milhões de dólares para garantir a continuidade dos serviços de saúde sexual e reprodutiva e para combater a violência baseada em gênero.
Conversas de paz
Na sexta-feira (1), um enviado da ONU declarou que os preparativos estão “a todo vapor” para a próxima rodada das conversas de paz no Iêmen, mediadas pelas Nações Unidas e que terão início em 18 de abril no Kuwait.
O objetivo é atingir um acordo amplo que ponha fim à guerra no país e permita a retomada do diálogo político inclusivo em linha com a resolução 2216 (2015) do Conselho de Segurança das Nações Unidas e outras resoluções relevantes.
“Estou ansioso pela participação ativa das partes relevantes nas conversas”, disse o enviado especial do secretário-geral da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, pedindo que as delegações do país aproveitem essa oportunidade para chegar a um mecanismo de transição pacífica e ordenada baseada na iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo e nos resultados da conferência nacional de diálogo.

Carros destruídos após ataque à bomba no Iêmen. Foto: IRIN
Especialistas políticos da ONU já foram mobilizados em Sanaa e Riyadh para trabalhar com as delegações na retomada das conversas, disse. Outra equipe está a caminho do Kuwait para finalizar as preparações com o Ministério de Relações Exteriores do país.
O enviado especial disse ter encorajado as partes a se engajar de forma construtiva nas negociações, principalmente no que se refere à retirada de milícias e grupos armados, à entrega de armamentos pesados ao Estado, aos arranjos de segurança provisórios, à restauração de instituições estatais e à retomada de diálogo político inclusivo, além da criação de um comitê especial para prisioneiros.
Nesse mesmo contexto, o enviado especial elogiou os passos tomados recentemente entre Arábia Saudita e o movimento dos Ansar Allah, conhecidos como Houthis, incluindo a libertação de prisioneiros e a relativa calma nas fronteiras.
“Essas iniciativas reforçam o espírito de confiança na construção de medidas recomendadas na última rodada de negociações e não há dúvida de que podem fornecer um importante impulso para o processo político”, disse.
As partes no conflito concordaram com um cessar de hostilidades no país inteiro a partir da meia-noite de 10 de abril. “Com vontade política, fé e equilíbrio, eles podem aproveitar essa oportunidade para acabar com o conflito e pavimentar o caminho rumo a um fim permanente e durável da guerra”, acrescentou.