Conflito no Iraque afeta crianças e deixa quase 500 civis mortos em novembro, alerta ONU

Apesar da violência recente, o Programa Mundial de Alimentos conseguiu assistir cerca de 70 mil pessoas em província que estava há sete meses sem ajuda humanitária.

População foge de Ramadi, na província de Anbar, que estava sob cerco desde março desse ano. Foto: UNICEF / Wathiq Khuzaie

População foge de Ramadi, na província de Anbar, que estava sob cerco desde março desse ano. Foto: UNICEF / Wathiq Khuzaie

A Missão de Assistência das Nações Unidas no Iraque (UNAMI) informou nesta terça-feira (1) que, apenas em novembro, 489 civis foram mortos e outros 869 ficaram feridos em meio a atos terroristas e a desdobramentos do conflito armado no país. No mesmo dia em que a Missão emitiu seu alerta, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) conseguiu distribuir comida para quase 70 mil pessoas em duas cidades sitiadas da província de Anbar, cercada desde março desse ano, conjuntura que deixou milhares de pessoas sem assistência por mais de sete meses.

De acordo com a UNAMI, a província mais afetada pela violência recente foi Bagdá, que concentra 325 mortes e 785 agressões do total registrado em novembro. No mesmo período, 399 membros das Forças de Segurança iraquianas foram mortos e mais 368 ficaram feridos. A Missão da ONU afirmou que o número de baixas civis é um valor mínimo estimado. Informações indicam que mais pessoas teriam morrido por causa de efeitos secundários da violência, como deslocamento forçado, exposição à natureza, falta de água, comida, remédios e assistência médica.

Mais de 3 milhões de iraquianos foram forçados a abandonar suas casas, desde junho do ano passado. Em outubro, o PMA conseguiu assistir mais de 1,1 milhão de deslocados espalhados pelas 18 províncias do país.

Recrutamento infantil

No dia seguinte à mensagem da UNAMI, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou a atenção também para situação das crianças iraquianas, vítimas de violações recorrentes de seus direitos. Em relatório sobre a situação dos jovens no país, o chefe das Nações Unidas identificou tendências negativas no que tange à morte, à mutilação, ao recrutamento de crianças-soldados, à violência sexual, a ataques a escolas e hospitais e à restrição do acesso de organizações humanitárias.

Desde janeiro de 2011, cerca de 1.400 jovens foram sequestrados no Iraque. A representante especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui, afirmou que mais de 3 mil já foram ou mortas, ou agredidas pelos confrontos. Mais da metade dos incidentes estariam relacionados ao uso de explosivos improvisados, utilizados por organizações terroristas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico (ISIL). A especialista também expressou preocupação com o recrutamento de crianças por esses grupos.