Documento destaca que cerca de 2 milhões de crianças estão sofrendo o trauma de ver familiares e amigos mortos, além de serem aterrorizadas pelos sons e cenas da guerra.

Um menino e seu pai em Cyber City, uma hospedaria para refugiados sírios em Ramtha, na Jordânia. Foto: UNICEF/Kate Brooks
Uma geração de crianças sírias pode ficar “marcada para sempre” por causa da implacável violência, do deslocamento e dos danos aos serviços essenciais causados pelo conflito no país, alerta relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado nesta terça-feira (12).
“Uma vez que milhões de crianças na Síria e em toda a região testemunham seu passado e seu futuro desaparecerem em meio aos escombros e à destruição desse conflito prolongado, o risco de elas se tornarem uma geração perdida cresce a cada dia”, destacou o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake, sobre o conflito que em dois anos já matou mais de 70 mil pessoas.
O documento afirma que as cerca de 2 milhões de crianças afetadas pelo conflito estão sofrendo o trauma de ver familiares e amigos mortos, além de serem aterrorizadas pelos sons e cenas do conflito.
A falta de acesso a serviços básicos resultou em aumento de doenças de pele e respiratórias e, nas áreas onde os combates são mais intensos, 20% das escolas foram destruídas ou danificadas. Em Aleppo, por exemplo, apenas 6% das crianças frequentam a escola atualmente. Hospitais e centros de saúde também foram destruídos e seus funcionários fugiram.
Desde o início da crise, o UNICEF e seus parceiros dedicam-se ao fornecimento de água potável e serviços de saneamento, saúde e educação para as crianças e famílias deslocadas no interior da Síria e nos países vizinhos, para onde muitos fugiram.
Entre as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores humanitários está a falta de financiamento internacional – menos de 20% dos recursos solicitados pelo UNICEF chegaram até agora.