Conflitos armados têm consequências ‘devastadoras’ para crianças, aponta representante da ONU

No Iêmen, por exemplo, o número de crianças mortas, feridas ou que foram usadas em combate aumentou quase cinco vezes. Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram captura meninas que são utilizadas em atentados suicidas. Acesso à educação para as crianças é um fator fundamental no combate a discursos extremistas.

Crianças iemenitas recebem água em meio aos conflitos no país que deixaram milhões sem acesso a serviços básicos. Foto: OCHA

Crianças iemenitas recebem água em meio aos conflitos no país que deixaram milhões sem acesso a serviços básicos. Foto: OCHA

A representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui, chamou atenção nesta terça-feira (8) para o impacto devastador que as atuais guerras e confrontos têm provocado sobre jovens do mundo todo.

No Iêmen, por exemplo, o número de crianças mortas, feridas ou que foram usadas em combate aumentou quase cinco vezes. Violações dos direitos humanos dos jovens também foram identificadas na Síria, no Iraque, na Nigéria e no Sudão do Sul.

Em mensagem ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, a representante especial destacou a atuação de grupos armados que perpetram uma violência extrema contra crianças. O Boko Haram foi citado como exemplo por utilizar meninas em atentados suicidas.

“Esses grupos testaram a capacidade de resposta tanto das autoridades nacionais quanto da comunidade internacional. Embora reconheça os desafios que os Estados enfrentam no combate às ameaças colocadas por tais grupos armados, as respostas que não estiverem em acordo com o direito internacional arriscam infligir ainda mais danos aos civis e ajudar os próprios grupos que governos buscam combater”, afirmou Zerrougui.

Apesar dos desafios, a especialista verificou avanços em determinadas regiões. Em Mianmar, no Sudão e na Colômbia, foram abertas novas frentes de diálogo com grupos armados não estatais. Zerrougui espera que a libertação e a reintegração de crianças-soldado nesses países por parte dessas entidades contribua para a paz.

No Afeganistão, a campanha “Crianças, Não Soldados”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), teve um impacto positivo e o governo está empenhado para implementar seu Plano de Ação. O país, no entanto, precisará de apoio da comunidade internacional para consolidar as conquistas.

A representante especial ressaltou que essa campanha já completou dois anos e que os países envolvidos – República Democrática do Congo, Mianmar, Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Somália e Iêmen – devem redobrar esforços para erradicar e prevenir o recrutamento de crianças pelas próprias forças de segurança nacionais, fenômeno ainda comum nesses territórios.

Zerrougui também insistiu na importância da garantia do acesso à educação para as crianças, “um fator fundamental no combate a discursos extremistas”.

Segundo a especialista, mesmo os períodos curtos de hostilidades têm consequências a longo prazo para os sistemas educacionais dos países. Assegurar os recursos para a manutenção contínua do ensino durante emergências deve ser uma prioridade.