Conflitos intercomunitários aumentam fugas por meio de barcos clandestinos em Mianmar, alerta ACNUR

Agência da ONU para refugiados estima que mais de 38 mil pessoas deixaram o país desde junho de 2012, quando os conflitos entre budistas e muçulmanos eclodiram.

Dois meninos deslocados no estado de Rakhine, em Mianmar, brincam em um rio. A vida cotidiana ainda é uma luta para suas comunidades e algumas pessoas arriscam suas vidas em alto mar buscando segurança e estabilidade. Foto: ACNUR/S. Kelly

Dois meninos deslocados no estado de Rakhine, em Mianmar, brincam em um rio. A vida cotidiana ainda é uma luta para suas comunidades e algumas pessoas arriscam suas vidas em alto mar buscando segurança e estabilidade. Foto: ACNUR/S. Kelly

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) está preocupado com o fim da estação chuvosa em Mianmar e a temporada anual de navegação recomeça. O ACNUR afirma que as pessoas do estado de Rakhine estão cada vez mais propensas a fugir, sujeitando-se à exploração de contrabandistas.

De acordo com a agência, mais de 1.500 pessoas embarcaram em navios no norte de Rakhine, o local de maior violência intercomunitária desde junho de 2012, com confrontos entre budistas Rakhine e muçulmanos Rohingya.

“O ACNUR acredita que o governo de Mianmar e a comunidade internacional precisam redobrar os esforços para promover a reconciliação e o desenvolvimento econômico no estado de Rakhine para o benefício de todas as comunidades, buscando medidas práticas para assegurar direitos básicos para que os Rohingya possam levar uma vida normal onde eles estão”, disse um porta-voz da agência, Dan McNorton, a jornalistas em Genebra.

O número exato de partidas de barcos é desconhecido devido à natureza clandestina desses movimentos, lembrou o porta-voz.

Relatos não confirmados sugerem que de junho a dezembro de 2012 – quando a violência intercomunitária estourou no país – mais de 14 mil pessoas deixaram o país em barcos que saíram de Mianmar e Bangladesh.

Além disso, a agência da ONU estima que mais de 24 mil pessoas deixaram o país nos primeiros oito meses de 2013.