Os 148 mil residentes do condado de Pibor, em Jonglei, foram particularmente afetados. Muitos civis estão caminhando longas distâncias para encontrar refúgio no Quênia, Uganda e Etiópia.
Refugiados de uma onda anterior de violência no estado de Jonglei se reúnem sob a sombra de uma árvore na cidade de Matar, fronteira com a Etiópia. Foto: ACNUR/S.Tessema
A onda de combates entre o governo e grupos armados no estado sul-sudanês de Jonglei já provocou o deslocamento de dezenas de milhares de civis, alertou nesta terça-feira (11) a agência da ONU para refugiados (ACNUR).
Segundo a agência, várias pessoas fogem para o mato e para áreas de difícil acesso devido aos confrontos iniciados em março passado.
Em maio, a missão da ONU no Sudão do Sul atribuiu o agravamento da tensão a uma combinação de fatores. Entre eles estariam o envolvimento de “guardas florestais dissidentes, de elementos que aparentam ser soldados indisciplinados e de grupos armados que ameaçam civis.”
O ACNUR apontou as restrições de segurança como a principal barreira para fazer o acompanhamento e dar resposta às necessidades humanitárias.
Os combates são tidos como alarmantes na área administrativa de Pibor, o ponto de partida de 2 mil pessoas na fronteira com a Etiópia. O número é acrescido às 16 mil novas chegadas registadas no país vizinho no período de apenas um ano.
Durante os deslocamentos, os civis também optam por caminhar longas distâncias em busca de refúgio no Quênia e em Uganda, afirmou a agência.
Com o aumento da tensão, há alegações de ilegalidades que incluem abusos indiscriminados e saques de bens, além de violações de direitos humanos consideradas “significativas e preocupantes”.
O ACNUR afirmou que que grande parte dos 148 mil residentes de Pibor é composta por atingidos pelos conflitos que se deslocaram mais de uma vez da área para fugir dos combates.
Nos primeiros cinco meses de 2013, a agência da ONU registrou 5.397 refugiados do estado de Jonglei no campo de refugiados de Kakuma, no noroeste do Quênia.
“Esses números são significativos: estão se aproximando do total do ano passado e é mais do que o dobro do total de 2011 ou 2010”, afirmou o ACNUR por meio de um comunicado.
Em Uganda, cerca de 2.700 refugiados de Jonglei chegaram desde o início do ano, uma média de 527 por mês.