Conselho de Direitos Humanos da ONU pede fim de conflito na Síria e condena combatentes estrangeiros

Resolução foi adotada após reunião de emergência em Genebra. Intensificação de confrontos entre governo e oposição teria resultado em centenas de civis mortos e feridos em cidade perto da fronteira com o Líbano.

Chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, durante o debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a Síria. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, durante o debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a Síria. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas pediu na última quarta-feira (29) o fim imediato dos combates na Síria, bem como uma investigação independente sobre os acontecimentos em Qusayr, onde a violência se intensificou recentemente. O Conselhou condenou também o envolvimento de combatentes estrangeiros no conflito.

Bombardeios intensos e confrontos entre as forças governamentais e as milícias de apoio e grupos armados anti-governamentais teriam resultado em centenas de civis mortos e feridos dentro e próximo de Qusayr, uma cidade perto da fronteira libanesa. Além disso, centenas de famílias teriam fugido da área ao longo do último mês, enquanto conflitos pelo controle da cidade têm se intensificado.

Durante um debate realizado em caráter de emergência na quarta-feira (29) em Genebra, o Conselho de 47 membros adotou uma resolução na qual pede às autoridades na Síria “para realizar a sua responsabilidade de proteger a população da Síria e pôr um fim imediato a todos os ataques contra os civis de Al Qusayr”.

O texto, aprovado por uma votação de 36 a favor e 1 contra (Venezuela), com 8 abstenções, também condenou a intervenção de combatentes estrangeiros que lutam em nome do regime sírio em Qusayr, além de levantar uma “preocupação profunda” sobre o seu envolvimento, que representaria uma “ameaça grave” à estabilidade regional.

Dirigindo-se ao Conselho antes da adoção da medida, a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, disse que a situação na Síria reflete um “fracasso colossal” para proteger os civis.

“Dia após dia, as crianças, as mulheres e os homens sofrem a brutalidade da violência desenfreada e das graves violações dos direitos humanos por todas as partes”, afirmou. “O aumento do número de combatentes estrangeiros que atravessam as fronteiras da Síria para apoiar um lado ou o outro está alimentando ainda mais a violência sectária, e a situação está começando a mostrar sinais preocupantes de desestabilizar a região como um todo.”

Desde março de 2011, o conflito entre o governo sírio e as forças de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad já matou mais de 80 mil pessoas e deixou 6,8 milhões de pessoas em necessidade. Além disso, a ONU estima que mais de 1,5 milhão de sírios fugiram de seu país para escapar dos conflitos.

“O conflito na Síria está ficando fora de controle”, advertiu Pillay, que pediu medidas imediatas para impedir mais derramamento de sangue e sofrimento. “A solução deve ser política. Não vai ser militar”, acrescentou.

Na preparação para a conferência internacional sobre a Síria que pode ser realizada no mês que vem em Genebra, Navi Pillay convocou os “Estados com influência para puxar as partes de volta da beira de uma catástrofe”.

Falando a jornalistas em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que “as conversações ativas” estão em curso sobre a proposta da conferência de Genebra. No entanto, há ainda muitas decisões que precisam ser feitas, incluindo o acordo sobre uma data para a reunião, bem como um acordo entre a oposição sobre a sua representação. “Estamos empenhados em sua [convocação].”

Ban também comentou os relatos de que o grupo libanês Hezbollah havia intensificado suas atividades na Síria, afirmando que a ONU está muito preocupada com a entrada de outros atores no conflito. “Fornecer armas para ambos os lados não vai ajudar: não há solução militar [e] a única solução sustentável será através de meios políticos”, disse Ban, acrescentando que ele havia “tomado nota” da decisão da União Europeia de suspender o embargo de armas na Síria.

Ban Ki-moon também reiterou seu apelo por uma solução política em uma mensagem para a reunião consultiva sobre a Síria que foi realizada na quarta-feira (29) em Teerã. “A Síria está se desintegrando diante de nossos olhos. O caos está criando um terreno fértil para o radicalismo e cada vez mais ameaça a estabilidade regional”, disse ele na mensagem, que foi entregue pelo coordenador residente da ONU no Irã, Gary Lewis.

O secretário-geral observou os esforços do ministro das relações exteriores russo, Sergey Lavrov, do secretário de Estado dos Estados Unidos , John Kerry, para trazer as partes da Síria à mesa de negociações. “Essas negociações são a melhor oportunidade que tivemos em quase um ano de uma solução negociada. Os desafios pela frente são enormes, mas não podemos perder esta oportunidade.”