Conselho de Segurança da ONU aprova envio de observadores a Alepo

Por unanimidade, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de observadores para Alepo, onde milhares de sírios estão sitiados. Na semana passada, o secretário-geral Ban Ki-moon alertou que “Alepo é sinônimo de inferno”, em função das dificuldades de acesso para ajuda humanitária.

Pais e filhos se reúnem se aquecem no fogo num armazém Jibreen, agora usado como abrigo por centenas de famílias que fugiram de violência no leste de Alepo. Foto: UNICEF

Pais e filhos se reúnem se aquecem no fogo num armazém Jibreen, agora usado como abrigo por centenas de famílias que fugiram de violência no leste de Alepo. Foto: UNICEF

O Conselho de Segurança aprovou nesta segunda-feira (19) que as Nações Unidas e outras instituições relevantes façam “monitoramento neutro e adequado e observação direta das evacuações dos bairros a leste” de Alepo, cidade Síria assolada pela guerra e onde milhares de civis estão encurralados.

Em resolução adotada por unanimidade, o Conselho também solicitou que a ONU garanta destacamento de pessoal para monitorar e reportar as evacuações, garantindo monitoramento com acesso seguro, imediato e livre.

Ao ressaltar que “evacuações humanitárias urgentes e assistência são necessárias para um grande número de moradores de Alepo”, o Conselho pediu que todas as partes proporcionem à ONU e seus parceiros acesso seguro, imediato e livre para garantir que a assistência humanitária alcance as pessoas “através da rota mais direta, para envio de necessidades básicas, incluindo provisões para atendimento médico”.

A resolução, proposta pela França, também pede que todos os envolvidos respeitem e protejam o pessoal médico e de ajuda humanitária, “seus meios de transporte e equipamentos, assim como hospitais e facilidades médicas em todo o país”. O secretário-geral, Ban Ki-moon, pediu “medidas urgentes, incluindo acordos de segurança com as partes interessadas para permitir o trabalho de observadores da ONU e outras instituições sobre o bem estar dos civis” . Milhares de civis aguardam que as retiradas recomecem hoje.

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura disse, em nota, esperar que a resolução seja o início da restauração da unidade no Conselho de Segurança e informou que se envolverá na promoção da implementação operacional da decisão.

A decisão vem depois de duas tentativas do Conselho em tomar ações na Síria: no dia 8 de outubro a Rússia vetou uma resolução que pedia o fim de vôos militares sobre Alepo e no dia 5 de dezembro uma medida de cessar fogo de sete dias na cidade sitiada não passou depois do veto de China e Rússia. No total, a Rússia já vetou seis textos sobre o conflito na Síria, enquanto a China vetou cinco destes seis.

Na última sexta-feira (16), o secretário-geral da ONU foi enfático sobre a situação no país durante sua última coletiva de imprensa, ao dizer que a “carnificina na Síria é um grande buraco na consciência global”. “Alepo é  sinônimo de inferno”, afirmou o dirigente, que termina o mandato no dia 31 de dezembro. “Falhamos coletivamente com a população da Síria. A paz só irá prevalecer se estiver acompanhada de compaixão, justiça e responsabilização dos abomináveis crimes que temos visto”, acrescentou.

A crise na Síria entra no sexto ano e os civis continuam sofrendo as consequências do conflito marcado por um incomparável sofrimento, destruição e desrespeito à vida humana. De acordo com o Escritório da ONU de Coordenação para Assuntos Humanitários, 13,5 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária na Síria, incluindo 4,9 milhões de pessoas presas em áreas cercadas ou de difícil acesso.