Conselho de Segurança da ONU aprova missão para supervisionar destruição de armas químicas da Síria

Nações Unidas e a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) têm até 30 de junho de 2014 para eliminar armas, equipamentos e instalações de produção no país devastado pela guerra.

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/JC McIlwaine

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/JC McIlwaine

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou formalmente nesta sexta-feira (11) uma missão conjunta das Nações Unidas com a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) para supervisionar a destruição dos arsenais de armas químicas da Síria, bem como a destruição de suas instalações de produção.

Também nesta sexta-feira a OPAQ ganhou o Prêmio Nobel da Paz pelo “extensivo trabalho para eliminar armas químicas” em todo o mundo.

Em uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Conselho aprovou o plano do chefe da ONU para enviar até 100 especialistas das Nações Unidas e da OPAQ para uma operação que ocorrerá em três fases.

O objetivo é apoiar a resolução anterior do Conselho sobre a eliminação de material químico da Síria – incluindo armas, equipamentos e instalações –, com conclusão prevista para até 30 de junho de 2014.

O Conselho aprovou a resolução depois que a Síria concordou em aderir à Convenção sobre Armas Químicas, na sequência de um ataque ocorrido em agosto deste ano que matou centenas de pessoas em um subúrbio de Damasco.

No total, o conflito no país já deixou um saldo de mais de 100 mil mortos, além do deslocamento forçado de 6,5 milhões desde março de 2011.

Em resposta à aprovação da missão conjunta, Ban Ki-moon disse em uma mensagem de vídeo que estava “muito satisfeito” com a rápida ação do Conselho quanto a sua recomendação. “Este é um sinal do compromisso da comunidade internacional para eliminar as armas químicas”, acrescentou.

“Temos um prazo muito apertado, mas as Nações Unidas comprometem-se a trabalhar em estreita colaboração com a OPAQ para finalizar o trabalho. Também estou comprometido e determinado a fazer progressos nas questões política e humanitária, para o bem do povo sírio”, disse Ban.

A destruição física das instalações, estoques e material associado de armas químicas é de responsabilidade do Governo sírio, uma vez que nem a OPAQ nem a ONU tem o mandato de conduzir atividades de destruição.

Uma equipe de cerca de 60 especialistas e pessoal de apoio da OPAQ e das Nações Unidas estão no país desde o início do mês e já começaram a supervisionar a destruição de instalações de produção da Síria, em meio à violência em curso no país.

Também nesta sexta-feira, a ONU e a OPAQ afirmaram que a equipe fez um “bom progresso” desde que começou suas operações. “Após 10 dias de operações no terreno, as equipes de verificação inspecionaram três locais e estão em curso planos para novas visitas”, disseram as organizações em um comunicado conjunto.

O porta-voz do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jans Laerke, alertou que os preços dos alimentos, a indisponibilidade de alimentos para crianças, o deslocamento e a perda de renda têm tornado difícil fornecer às crianças sírias cuidados de saúde e nutrição adequados.

Além disso, o número de crianças internadas em hospitais com desnutrição grave ou aguda já teria aumentado em Aleppo, Dar’a Deir-ez-Zor, Hama, Homs e em outras áreas, disse Laerke.

Ele acrescentou que as agências humanitárias na Síria também estão se preparando para se adaptar à chegada do inverno. Parceiros que trabalham no setor de abrigo começaram a estocar itens como agasalhos, cobertores térmicos e garrafas de água. As organizações também estão se preparando para ajudar as famílias deslocadas que vivem em abrigos danificados e coletivos, isolando os abrigos contra as baixas temperaturas durante o inverno.