Mais de 412 mil pessoas deixaram a região e estima-se que cinco milhões tenham sido afetadas pelo conflito.

O Conselho de Segurança da ONU autorizou nesta quinta-feira (20) o envio da Missão de Suporte Internacional liderada pela África no Mali (AFISMA). Com mandato inicial de um ano, prestará assistência às autoridades na recuperação de regiões controladas por rebeldes e na restauração da unidade do país.
Sob o Capítulo VII da Carta da ONU, que permite o uso da força diante de ameaça à paz ou agressão, o Conselho incumbiu a AFISMA de contribuir com a reconstrução das forças de segurança e defesa do país, assim como na redução de ameaças impostas por grupos terroristas.
A missão será responsável por apoiar as autoridades na proteção de civis e na criação de um ambiente seguro para o envio de assistência humanitária liderado por civis, além do regresso voluntário de deslocados e refugiados.
O Conselho também instou as autoridades de transição do Mali a finalizarem o roteiro de transição por meio de amplo e inclusivo diálogo político, restaurar totalmente a ordem constitucional e a unidade nacional, também pela realização de eleições pacíficas, inclusivas e críveis até abril de 2013 ou tão logo seja tecnicamente possível.
O órgão também exigiu que os rebeldes cortem os vínculos com grupos terroristas e pediu que as autoridades de transição iniciem negociações com os que romperem tais laços.
A União Africana e a Comunidade Econômica do Estados da África Ocidental (ECOWAS) solicitaram ao Conselho um pacote de apoio logístico, financiado pelas Nações Unidas. Já o Conselho pediu ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que apresente opções neste sentido no prazo de 30 dias.
Ban também pretende enviar ao Conselho uma proposta para o estabelecimento de uma missão política de tempo integral no país.
O Norte do Mali foi ocupado por radicais islâmicos depois dos confrontos de janeiro entre as Forças do Governo e os rebeldes tuaregues, mas este é apenas um de uma série de problemas políticos, de segurança e humanitários que a nação enfrenta este ano.
Os confrontos, assim como a proliferação de grupos armados, a seca e a instabilidade política na esteira de um golpe de Estado liderado por militares em março forçaram o deslocamento de civis. Mais de 412 mil pessoas deixaram a região e estima-se que cinco milhões tenham sido afetadas pelo conflito.