Conselho de Segurança da ONU endossa acordo sobre cessar-fogo na Síria

Enviado especial da ONU para a Síria alertou que não faltarão tentativas de minar o processo em curso. Para ele, a comunidade internacional deve trabalhar rápido para resolver os incidentes, enquanto todas as partes devem demonstrar contenção. Cessar-fogo, que começa neste sábado (27), trouxe um clima de calma à maior parte das cidades, com poucos incidentes relatados.

Conselho de Segurança reunido. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Conselho de Segurança reunido. Foto: ONU/Devra Berkowitz

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira (26), por unanimidade, o acordo negociado pela Rússia e pelos Estados Unidos sobre a cessação das hostilidades na Síria. O acordo entrou em vigor neste sábado (27), no horário de Damasco, capital síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou o acordo como “nossa melhor chance de acabar com a violência brutal” no país, após cinco anos de guerra.

Por meio de uma nova resolução, o Conselho aprovou a declaração conjunta anunciada na segunda-feira (15) pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e pelo chanceler russo, Sergey Lavrov, que desempenham atualmente o papel de copresidentes do Grupo de Trabalho de Cessar-fogo do Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês), nos termos de uma cessação nacional das hostilidades, a partir deste sábado.

Em um comunicado emitido no final da tarde por seu porta-voz, Ban Ki-moon disse que a plena aplicação da resolução – incluindo as entregas de ajuda humanitária sem entraves e de modo contínuo – é a melhor chance de reduzir a violência brutal na Síria.

“O que importa agora não são as palavras da resolução, mas se ela promoverá mudanças reais no terreno e reduzirá o sofrimento do povo sírio”, disse Ban, acrescentando que a aplicação da resolução do Conselho também criaria espaço e credibilidade para o enviado especial da ONU para a Síria impulsionar as negociações sobre uma transição política, em conformidade com o Comunicado de Genebra (2012) e com a resolução 2254 (2015) do Conselho de Segurança.

O Conselho de Segurança exigiu também a implementação “plena e imediata” do texto, a fim de facilitar uma transição política liderada plenamente pelos sírios, com o objetivo de acabar com o conflito no país.

A resolução 2254, aprovada por unanimidade em dezembro, deu à ONU um papel reforçado na promoção do diálogo entre os lados opostos e nas negociações de uma transição política, endossando um calendário para o cessar-fogo, para uma nova Constituição e para eleições.

Durante a reunião no órgão da ONU, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse que a cessação das hostilidades foi resultado de longas e detalhadas discussões – e resultado de intensas negociações ao mais alto nível. Falando através de videoconferência a partir de Genebra, ele acrescentou que era uma “grande conquista”.

Muito trabalho para a execução do acordo estava por vir, acrescentou Mistura, ressaltando que o sábado – o primeiro dia do acordo – seria um momento crítico. Ele alertou que não faltarão tentativas de minar o processo em curso. Para o enviado da ONU, a comunidade internacional deve trabalhar rápido para resolver quaisquer incidentes que possam surgir, enquanto todas as partes devem demonstrar contenção.

Neste sábado (27), de fato, alguns relatos de imprensa indicam alguns incidentes nas cidades de Tel Abiad, Salmiya e redondezas, Damasco e outras localidades. Apesar disso, segundo a imprensa, as principais cidades do país em conflito – como Homs, Aleppo e Damasco – amanheceram em um clima de calma.

“Estamos agora em uma encruzilhada. Temos a possibilidade de virar a página [na Síria], depois de quase 5 anos de um dos conflitos mais sangrentos dos anos recentes É potencialmente um momento histórico de pôr fim à matança e à destruição e para começar uma nova vida e uma nova esperança para os sírios”, disse Mistura ao Conselho.

O enviado da ONU anunciou que, com o fim das hostilidades e o acesso humanitário mantido aberta, ele reconvocaria as negociações com representantes do governo e da oposição, em Genebra, na próximo dia 7 de março.