Representante da ONU cita cidade sitiada na Síria, morte de civis, ataques a hospitais e bombardeios que afetam a população civil em várias partes do mundo. “Essa carnificina de pessoas inocentes não pode continuar”, afirma.

Um homem passa em frente da escola Ibn Sina, bombardeada na capital San’a. Foto: UNICEF/Mohammed Mahmoud
Com muitas mortes de civis em conflitos pelo mundo, dezenas de milhares enfrentando a fome em cidades sitiadas, e hospitais sob ataque, o Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma sessão que na terça-feira (19), em meio a pedidos por maior responsabilização e uso do Tribunal Penal Internacional.
“Hospitais devem ser santuários em tempos de guerra. Mas recentemente temos visto uma onda de ataques a hospitais e centros de saúde. No Afeganistão, uma bomba aérea destruiu um centro cirúrgico com devastação para todos os lados. No Iêmen, hospitais têm sido atacados e crianças, que não estão sendo mortas por balas e bombas, estão morrendo por falta de remédios e assistência médica”, sublinhou o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson.
Ele acrescentou que em 2014, 92% dos mortos ou feridos por armas explosivas em áreas povoadas eram civis. Cerca de 19 mil deles foram mortos no Iraque entre janeiro de 2014 e outubro de 2015.
Eliasson também citou a “realidade horrível” de Madaya, na Síria, onde milhares de pessoas tiveram alimentação e tratamento médico negados por meses, levando à fome e falecimento.
“Essa carnificina de pessoas inocentes não pode continuar”, acrescentou, lembrando que o secretário-geral da ONU condenou recentemente as violações de direitos humanos cometidas na Síria, classificando como “crimes de guerra”.
Os grupos extremistas não estatais, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e Boko Haram, também foram mencionados por Eliasson como novos desafios a enfrentar.
Diante de violações por em diferentes partes do mundo, ele pediu por maiores esforços para prevenir conflitos, em primeiro lugar, além de instar a adoção de uma legislação penal mais robusta nacional e a adesão de todos os Estados ao Tribunal Pena Internacional para garantir mais responsabilização. O órgão foi criado para julgar crimes de guerra e contra a humanidade.