Conselho de Segurança da ONU não aprova resoluções sobre fim de ataques em Alepo, na Síria

Uma das resoluções não aprovadas, proposta pela França e pela Espanha, pedia o fim imediato dos bombardeios aéreos e dos voos militares sobre a cidade. O documento recebeu 11 votos a favor; duas abstenções (Angola e China); e dois votos contrários, da Rússia e da Venezuela. Como membro permanente, a Rússia tem poder de veto. A segunda resolução, proposta pela Rússia, que buscava restabelecer os termos do cessar-fogo, também não foi aprovada pelo Conselho, pois não conseguiu apoio da maioria de seus integrantes.

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/JC McIlwaine

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/JC McIlwaine

O Conselho de Segurança da ONU não aprovou no último sábado (8) duas resoluções que previam o fim dos ataques indiscriminados no leste da cidade de Alepo, na Síria, e o restabelecimento da cessação das hostilidades.

Uma das resoluções não aprovadas, proposta pela França e pela Espanha, pedia o fim imediato dos bombardeios aéreos e dos voos militares sobre a cidade.

O documento recebeu 11 votos a favor; duas abstenções (Angola e China); e dois votos contrários, da Rússia e da Venezuela. Como membro permanente, a Rússia tem poder de veto.

A segunda resolução, proposta pela Rússia, que buscava restabelecer os termos do cessar-fogo, também não foi aprovada pelo Conselho, pois não conseguiu apoio da maioria de seus integrantes.

O texto recebeu 4 votos a favor; 9 contrários (França, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Senegal, Espanha, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos); e duas abstenções (Angola e Uruguai). Três dos nove votos contrários são de membros com poder de veto: França, Reino Unido e EUA.

Na reunião do órgão, os membros do Conselho lembraram o recente informe feito pelo enviado especial da ONU para Síria, Staffan de Mistura.

No comunicado, o enviado especial disse que, se medidas urgentes não forem tomadas para abordar a situação no país, milhares de pessoas podem morrer e áreas como o leste de Alepo podem ser totalmente destruídas até o fim desse ano.

Staffan de Mistura também ressaltou que a suspensão das discussões bilaterais entre Estados Unidos e Rússia acerca da cessação das hostilidades representa um sério retrocesso.

Ele observou que Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês) é uma entidade muito importante, e que a suspensão das negociações bilaterais entre os países “não deve e não vai” afetar a existência do grupo.

Além disso, Mistura enfatizou a importância de uma força-tarefa humanitária, bem como a possibilidade de um grupo que seria eficaz no suporte de uma futura cessação das hostilidades.

A ONU calcula que após cinco anos, o conflito na Síria levou mais de 4,8 milhões de refugiados a países vizinhos; centenas de milhares à Europa; e deixou 6,6 milhões de deslocados dentro do país.

Estima-se que mais de 200 mil pessoas foram mortas até o momento devido ao conflito.