Conselho de Segurança das Nações Unidas pede adoção de medidas de segurança interinas no Iêmen

O Conselho de Segurança da ONU pediu na segunda-feira (25) que todas as partes envolvidas nas negociações de paz no Iêmen desenvolvam um “mapa do caminho” para implementar medidas de segurança interinas enquanto trabalham rumo a um acordo que acabe permanentemente com a crise no país.

Conflito no Iêmen já devastou inúmeras partes do país, deslocando populações e agravando a falta de alimentos. Foto: PMA / Ammar Bamatraf

Conflito no Iêmen já devastou inúmeras partes do país, deslocando populações e agravando a falta de alimentos. Foto: PMA / Ammar Bamatraf

O Conselho de Segurança da ONU pediu na segunda-feira (25) que todas as partes envolvidas nas negociações de paz no Iêmen desenvolvam um “mapa do caminho” para a implementação de medidas de segurança interinas enquanto trabalham rumo a um acordo compreensivo que acabe permanentemente com a crise política no país.

Em comunicado, o corpo de 15 membros elogiou o cessar-fogo em vigor no Iêmen desde 10 de abril, assim como o lançamento das negociações de paz no Kuwait, e reiterou o pedido para que todas as partes se engajem nas conversas de paz “de uma maneira flexível e construtiva, sem pré-condições, e em boa fé”.

No documento, o Conselho pediu que os lados do conflito “desenvolvam um mapa do caminho para a implementação de medidas de segurança interinas”, especialmente no nível local, incluindo entrega de armas, recuperação das instituições estatais e do diálogo político, em linha com decisões relevantes do Conselho de Segurança e do Conselho de Cooperação do Golfo.

De acordo com sua resolução 2216 (2015) e com o resultado da conferência de diálogo nacional, o Conselho disse que as partes precisam se comprometer em garantir que mecanismos de segurança, incluindo a formação de comitês, facilitem e supervisionem a saída negociada das milícias e dos grupos armados e permitam a entrega ordenada de armas pesadas e de médio alcance para o controle estatal.

O Conselho também expressou “forte preocupação” com o aumento da intensidade dos ataques terroristas, incluindo pela Al-Qaeda da Península Arábica e pelo Estado Islâmico, encorajando todas as partes a “evitar quaisquer vácuos de segurança que possam ser explorados por terroristas ou outros grupos violentos”.

Reiterando que a transição política no Iêmen para um estado democrático deve ser guiada por uma nova constituição e eleições, o Conselho disse que tais pleitos devem ser conduzidos de maneira inclusiva, envolvendo todas as comunidades iemenitas, todas as regiões do país, assim como jovens e mulheres.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, elogiou as informações que indicaram progressos tangíveis para pôr um fim às hostilidades e uma melhora na situação geral de segurança no país.

No domingo, o enviado da ONU disse que “significativas divergências nos pontos de vista das delegações” que participam das negociações de paz permanecem, mas que há consenso sobre a necessidade de paz e de trabalhar intensamente rumo a um acordo.

O conflito no Iêmen teve início em 2014 com uma ofensiva rebelde que tomou diversas regiões, entre elas a capital, Sanaa, com a ajuda de militares fiéis ao ex-ditador Ali Abadallah Saleh, deposto em 2012.

Em 2015, a Arábia Saudita se pôs à frente de uma coalizão militar sunita para impedir o avanço da milícia rebelde. O governo iemenita, ajudado pela coalizão, reconquistou no ano passado vastas regiões, sobretudo no sul, mas o conflito continuou, deixando desde então ao menos 6 mil mortes, sendo a metade civis, de acordo com agências internacionais.