Conselho de Segurança discute ações para implementação da paz em países que sofrem com conflitos

O brasileiro Antonio Patriota, presidente da Comissão para Consolidação da Paz, disse que inclusão, fortalecimento institucional e apoio internacional, somados com a igualdade de gênero, são fundamentais para a paz.

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Inclusão, fortalecimento institucional e apoio internacional são os três ingredientes-chave para a paz duradoura pós-conflito. A afirmação foi feita pelo vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, que em conjunto com  a administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, e com o presidente da Comissão para Consolidação da Paz, o brasileiro Antonio de Aguiar Patriota, apresentaram suas sugestões ao Conselho de Segurança da ONU com o objetivo de criar melhores estruturas para uma construção da paz mais eficaz.

“A consolidação da paz engloba uma variedade de ações políticas e de desenvolvimento que devem ser implementadas pelas operações para manutenção da paz das Nações Unidas, missões políticas especiais, equipes nacionais e outros atores. Situa-se no centro das aspirações da ONU em países que estão emergindo de conflitos”, disseram em reunião, na sede da ONU, nesta quarta-feira (19).

Eliasson explicou que a construção da paz só pode ter sucesso se for inclusiva. “A participação nacional, a liderança nacional e o compromisso político nacional são ingredientes indispensáveis para uma paz duradoura”, disse, enfatizando a necessidade da participação de mulheres e jovens nos processos de paz.

O vice-secretário-geral lembrou que a Comissão é apenas um órgão subsidiário do Conselho de Segurança, e só pode ser eficiente se o Conselho a empodera e utiliza todo o seu potencial. Por isso, Eliasson pediu que o Conselho aproveite a próxima revisão da arquitetura das Nações Unidas para construção da paz em 2015 para configurar qual o tipo de Comissão para Consolidação da Paz será mais relevante, catalítica e eficaz.

“Enfrentamos o desafio sistêmico da pouca atenção e compromisso da comunidade internacional para os desafios complexos e de longo prazo para a paz sustentável. À Comissão para Consolidação da Paz foi de fato dada o mandato de “estender o período de atenção dada pela comunidade internacional para a recuperação pós-conflito”, disse Patriota, ressaltando que junto com a importância da inclusão, fortalecimento institucional e apoio internacional sustentado e responsabilidade mútua, a necessidade de igualdade de gênero na construção da paz também é fundamental.

“Os desafios são muitos”, concluiu Eliasson. “São sérios e são urgentes em países como o Afeganistão, a República Centro-Africana, Sudão do Sul, Mali e Somália. Estou confiante de que os governos e os povos desses países poderiam ganhar consideravelmente com uma arquitetura das Nações Unidas para construção da paz mais eficiente e amplamente ancorada.”