Reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU discute suposto uso de armas químicas na Síria.
Representante para assuntos de desarmamento afirma que ainda não se sabe como foi feito o ataque, mas há relatos de sintomas como problemas respiratórios, vômitos, desmaios e retração das pupilas, compatíveis com efeitos provocados por produtos químicos que afetam o sistema nervoso.

Reunião do Conselho de Segurança discute o suposto uso de armas químicas na Síria. Foto: Rick Bajornas/ONU
O suposto ataque com armas químicas na Síria nesta terça-feira (4) pode ser o maior caso registrado desde agosto de 2013, quando centenas de pessoas foram mortas perto de Damasco. A afirmação foi feita por Kim Won-soo, representante da ONU para assuntos de desarmamento durante reunião de emergência do Conselho de Segurança que discute o ataque ocorrido nesta semana em Khan Shaykhun, área rural de Idleb.
De acordo com Won-soo, ainda não há informações suficientes para determinar como foi feito o ataque – sabe-se apenas que foi um bombardeio aéreo numa área residencial. Ele explicou aos 15 membros do Conselho os sintomas reportados depois do ataque: problemas respiratórios, vômitos, desmaios, espuma na boca e miose (retração das pupilas).
“Isto está visível em vídeos publicados nas redes sociais e que teriam sido feitos no local do ataque”, disse. O representante também informou ao Conselho sobre o trabalho da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) , órgão de implementação da Convenção sobre Armas Químicas, cujo objetivo é eliminar toda uma categoria de armas de destruição em massa.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 70 pessoas morreram e centenas foram atingidas. Em nota, a OMS assinala que a probabilidade de exposição a arma química é reforçada pela aparente ausência de ferimentos externos, o surgimento de sintomas similares e a dificuldade respiratória como principal causa de morte.
“Alguns casos parecem mostrar sinais compatíveis com a exposição a uma categoria de químicos que afeta o sistema nervoso”, diz a OMS. O comunicado também informa que salas de emergência e unidades de tratamento intensivo estão lotadas e há relatos de falta de medicamentos para tratar os feridos – muitos pacientes foram levados para hospitais na Turquia.
Em Bruxelas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que as necessidades de ajuda humanitária e a proteção dos civis sírios nunca foram tão grandes. Ele participou da abertura da conferência que discute apoio ao futuro da Síria e da região.