Conselho de Segurança lamenta morte de até 500 refugiados em naufrágio no mar Mediterrâneo

Equipe da Agência da ONU para Refugiados informou que cerca de 500 pessoas podem ter morrido quando um barco afundou no mar Mediterrâneo. ACNUR pede meios de admissão regulares para refugiados e solicitantes de refúgio chegarem à Europa, incluindo programas de admissão humanitária, vistos de estudantes e de trabalho.

 

Barco que transportava refugiados e migrantes à deriva no mar Mediterrâneo pouco antes de ser resgatada pela Marinha italiana em 2014. Foto: Marinha italiana

Barco que transportava refugiados e migrantes à deriva no mar Mediterrâneo pouco antes de ser resgatada pela Marinha italiana em 2014. Foto: Marinha italiana

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deplorou a mais nova tragédia envolvendo refugiados no mar Mediterrâneo, quando o naufrágio de um barco na rota entre a Líbia e a Europa deixou até 500 mortos, e enfatizou a necessidade de esforços coordenados para resolver a situação.

Em comunicado à imprensa, os membros do Conselho expressaram “grave preocupação” com proliferação e o risco representado pelo tráfico de migrantes no mar Mediterrâneo, incluindo a costa da Líbia. O Conselho também manifestou suas “profundas condolências” a todos os afetados pela tragédia, e endossou a necessidade de levar os traficantes de migrantes à Justiça.

Na semana passada, uma equipe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) entrevistou sobreviventes de um barco superlotado que naufragou no Mediterrâneo e ouviu relatos sobre o que pode ser uma das piores tragédias envolvendo refugiados e migrantes dos últimos 12 meses.

Os 41 sobreviventes – 37 homens, três mulheres e uma criança de três anos de idade – foram resgatados por um navio mercante e levados para Kalamata, na península do Peloponeso da Grécia, no dia 16 de abril. Entre os resgatados estão 23 somalis, 11 etíopes, seis egípcios e um sudanês.

Os sobreviventes contaram aos funcionários do ACNUR que faziam parte de um grupo de cerca de 200 pessoas que partiu na semana passada de uma localidade próxima a Tobruk, na Líbia, em um barco de 30 metros de comprimento.

“Depois de algumas horas no mar, os contrabandistas responsáveis pelo barco tentaram transferir os passageiros para uma embarcação maior, acondicionando centenas de pessoas em condições terríveis e de superlotação”, disse o ACNUR em uma declaração. “Durante a transferência, o barco maior virou e naufragou”.

Entre os 41 sobreviventes, estavam tanto pessoas que ainda não haviam passado para o barco maior, quanto aqueles que conseguiram nadar de volta para o barco menor. Eles ficaram à deriva possivelmente por três dias antes de serem resgatados no dia 16 de abril.

O ACNUR visitou os sobreviventes em um estádio local de Kalamata, onde estão abrigados temporariamente pelas autoridades locais, enquanto passam por procedimentos junto à polícia.

Este ano, até o momento, 179.552 refugiados e migrantes chegaram à Europa pelo mar atravessando o Mediterrâneo e o Egeu. Pelo menos 761 pessoas estão desaparecidas ou morreram nesta travessia.

O ACNUR pede mais meios de admissão regulares para refugiados e solicitantes de refúgio chegarem à Europa, incluindo vagas de reassentamento e programas de admissão humanitária, reunificação familiar, financiamento privado e vistos de estudantes e trabalho. Isso servirá para reduzir as demandas ocasionadas por contrabando e por jornadas perigosas e irregulares.