O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se na segunda-feira (9) para debater o último relatório anual da ONU sobre Crianças e Conflitos Armados. De acordo com o órgão, o número de meninos e meninas afetados pelos conflitos aumentou; mais de 21 mil violações foram documentadas no ano passado.

Virginia Gamba, representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflito Armado. Foto: ONU/Eskinder Debebe
O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se nesta segunda-feira (9) para debater o último relatório anual da ONU sobre Crianças e Conflitos Armados.
O documento revelou que, mais uma vez, o número de meninos e meninas afetados pelos conflitos aumentou. Mais de 21 mil violações foram documentadas no ano passado.
A especialista da ONU sobre o assunto, Virginia Gamba, afirmou que esses abusos devem lembrar os países de que precisam trabalhar juntos para reverter o quadro.
“Não podemos comprometer ainda mais o nosso recurso mais precioso por meio da inação. Devemos intensificar nossos esforços para desenvolver ferramentas preventivas; utilizar a reintegração estrategicamente para dar fim aos ciclos de violência; e abordar a natureza das violações que ultrapassam as fronteiras geográficas por meio de maior cooperação”, observou.
Além de serem mutiladas ou mortas, crianças capturadas em combate também sofrem quando escolas ou hospitais são atacados. Alguns são até forçados a se tornar combatentes, ou são vítimas de estupro e outras formas de violência de gênero.
Henrietta Fore, chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, informou que um em cada quatro meninos e meninas em todo o mundo foi afetado por conflitos ou desastres.
Fore pediu aos 15 embaixadores do Conselho de Segurança para pensar sobre o futuro dessas crianças, tanto a curto como em longo prazo.
“Em sua vida, uma criança síria de sete anos nunca conheceu uma Síria pacífica. Um adolescente afegão nunca conheceu um Afeganistão pacífico. E considere o que as crianças do Sudão do Sul enfrentam – e continuam enfrentando – ao marcarem, hoje, o sétimo ano de independência de seu país”, disse ela.
“Como podemos preparar as crianças para moldar futuros pacíficos se elas não conhecem a paz?”
Yenny Londoño, ex-combatente infantil da Colômbia, explicou como os abusos aos direitos humanos estão na raiz do recrutamento de crianças. Ela disse que meninos e meninas obrigados a pegar em armas não têm acesso à educação, assistência médica, moradia e segurança, entre outros direitos.
Atualmente estudante de Direito e grávida, Londoño enfatizou a necessidade de lidar com as ex-crianças-soldado como vítimas, não como criminosas.
“Peço aos governos que não nos considerem um problema, mas que nos deem a oportunidade de mostrar a nossa capacidade de ser agentes de mudança”, pediu ela.
“É isso que queremos ser: os agentes de mudança para a sociedade”, concluiu.