De setembro a novembro deste ano, devido às restrições e insegurança, a ONU e seus parceiros conseguiram chegar a apenas 32% dos lugares de difícil acesso. Autoridades sírias ainda não autorizaram a entrada de 47 comboios interagenciais solicitados, além da liberação daqueles anteriormente acordados.

Mãe e filha em Barja, no Líbano, preparam as malas para seu reassentamento na Alemanha. Foto: ACNUR/Andrew McConnell
Ao Conselho de Segurança, a secretária-geral assistente de Assuntos Humanitários, Kyung-wha Kang e o chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), António Guterres, descreveram nesta segunda-feira (21) um cenário devastador no país e as dificultadas encontradas para levar ajuda humanitária a população que permanece na nação ou se encontra sitiada. O encontro acontece após a decisão do órgão, na última sexta-feira (18), de atribuir um papel ainda mais relevante às Nações Unidas na liderança do diálogo entre os lados oponentes da Síria para que haja uma transição política e um cessar-fogo.
Os representantes da ONU também expressaram indignação por conta de ataques, supostamente comandados pelo governo e seus aliados, a mercados, hospitais e padarias na Síria, ferindo e matando civis quase diariamente. “Desde o início da crise (praticamente há cinco anos atrás), médicos para os Direitos Humanos documentaram 336 ataques em pelo menos 240 instalações médicas e a morte de 697 pessoas da equipe médica”, afirmou a subsecretária-geral.
A representante da ONU ressaltou que os autores dos ataques aéreos que deixaram áreas povoadas destruídas devem ser responsabilizados pelos seus atos, se referindo especificamente ao ataque com seis bombas aéreas a um mercado local cheio, construções públicas e áreas residenciais, que aconteceu na cidade de Idlib, no norte do país. O atentado matou 43 pessoas.
Kang lembrou o convite feito pelo secretário-geral das Nações Unidas , Ban Ki-moon, depois da resolução adotada pelo Conselho, que chamava o Grupo Internacional de Apoio à Síria, constituído pela Liga Árabe, a União Europeia, e 17 países, inclusive os Estados Unidos e Rússia a exercerem a pressão necessária às partes do conflito para pôr fim ao ataque contra civis.
Restrições de segurança
De setembro a novembro deste ano, devido às restrições e insegurança, a ONU e seus parceiros conseguiram chegar a apenas 32% dos lugares de difícil acesso, 1% da população sitiada recebeu ajuda alimentar, e menos de 1%, assistência na área da saúde, segundo Kang.
Ela pediu às autoridades sírias para que autorizem a entrada de 47 comboios interagenciais solicitados, além da liberação daqueles anteriormente acordados. Também solicitaram que os grupos armados não estatais, bem como grupos terroristas permitam que as entregas feitas pela ONU sejam realizadas.
A representante da ONU destacou que apesar das circunstâncias desafiadoras, a ajuda humanitária alcança milhões de pessoas mensalmente, mas é necessário que se faça mais. O Plano de Resposta Humanitária para 2016 busca atingir cerca de 3,2 milhões de dólares para prover assistência para 13,5 milhões de pessoas na Síria. Cerca de outras quatro milhões de pessoas fugiram para campos de refugiados em países vizinhos ou para a Europa.
Diante desse cenário, o chefe do ACNUR parabenizou a resolução do Conselho com o objetivo de estabelecer o cessar-fogo. Na ocasião, pediu mais apoio da comunidade internacional para apoiar os refugiados e os países receptores. Sem previsão de futuro e de acesso ao mercado de trabalho ou educação, está claro que os sírios se deslocaram em busca de outras oportunidades, enfatizou Guterres.
Ele pediu por novos programas de reassentamento me massa e admissão em países Europeus para acabar com as tragédias no Mediterrâneo e o fluxo desordenado pelos países dos Bálcãs. “Se as coisas continuarem como estão neste momento, não temo apenas pelas vidas dos refugiados, mas pelo futuro do asilo na Europa, já que medidas restritivas estão se espalhando por todas as partes, como um vírus, que também arrisca contaminar outras partes do mundo.”