Coordenador Residente da ONU: ‘Temos a esperança de que a Rio+20 represente um novo marco para a humanidade’

Coordenador Residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek falou agora há pouco sobre Dia da ONU 2011, durante celebração no Itamaraty, em Brasília (DF).

Coordenador Residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil e Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Jorge ChediekDurante a celebração do Dia da ONU 2011, o Coordenador Residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil e Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Jorge Chediek, falou sobre a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho do próximo ano. O evento ocorreu agora há pouco no Itamaraty, em Brasília.

“A preparação da Conferência acontece em um momento complexo, quando, de muitos lados, vem sendo questionada a capacidade das organizações multilaterais de oferecer soluções para os problemas globais: a crise econômica, o aumento do desemprego e da desigualdade, os conflitos armados e a violação de direitos humanos, as mudanças climáticas, entre tantos outros”, afirmou Chediek.

No entanto, ele apontou que, assim como a Rio 92, o evento do ano que vem pode representar uma mudança importante na consciência global sobre a relação entre desenvolvimento e proteção do meio ambiente. “Temos a esperança de que a Rio+20 represente um novo marco para a humanidade, afirmando um acordo global que garanta a sustentabilidade ambiental, a equidade e o desenvolvimento humano.”

Chediek também informou, em primeira mão, que foi assinado na semana passada o contrato para a construção do primeiro edifício do complexo que hospedará a Casa da ONU em Brasília, no Setor de Embaixadas Norte.

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Confira na íntegra no vídeo ou em texto, abaixo:

Discurso do Coordenador Residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, para o Dia da ONU 2011

Brasília (DF), 24 de outubro de 2011

“Excelentíssima Ministra Izabella Teixeira, Ministra de Estado do Meio Ambiente

Excelentíssimo Senador Fernando Collor, Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal

Excelentíssima Embaixadora Vera Barrouin Machado, Subsecretária-Geral Política I do Ministério das Relações Exteriores

Excelentíssimo Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, Subsecretário-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores

Caro Achim Steiner, Diretor-Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e

Senhores embaixadores, autoridades, jornalistas e demais colegas aqui presentes, senhoras e senhores.

É um prazer estar aqui com vocês, para comemorar o Dia das Nações Unidas e dialogar sobre os desafios e as oportunidades da Conferência Rio+20 sobre o Desenvolvimento Sustentável.

Gostaria de compartilhar a mensagem do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon:

Daqui a alguns dias, a família humana vai receber o habitante de número 7 bilhões. Alguns dizem que nosso planeta está superlotado. Eu digo que nós temos a força conjunta de sete bilhões.

O mundo fez progressos notáveis desde que as Nações Unidas nasceram 66 anos atrás. Nós estamos vivendo mais. Mais crianças nossas sobrevivem. Mais e mais pessoas vivem em paz, sob um Estado de Direito democrático. Como vimos neste ano dramático, pessoas em todo o mundo estão se levantando por direitos humanos e por liberdade.

E ainda assim… todo este progresso está sob ameaça. Da crise econômica. Do aumento do desemprego e da desigualdade. Das mudanças climáticas.

Em todo o mundo, muitas pessoas vivem com medo. Muitas pessoas acreditam que seus governos e a economia global não podem mais agir por eles. Nestes tempos de turbulência, há apenas uma resposta: unidade de propósitos.

Problemas globais demandam soluções globais. Eles levam todas as nações a se unirem por uma ação em prol de uma agenda para a população mundial. Essa é a verdadeira missão das Nações Unidas: Construir um mundo melhor. Não deixar ninguém para trás. Representar os mais pobres e mais vulneráveis em nome da paz global e da justiça social.

Neste dia especial, vamos reconhecer: Nunca antes a ONU foi tão necessária. Em nosso mundo cada vez mais interconectado, todos nós temos algo para dar e algo a ganhar quando trabalharmos juntos. Vamos nos unir, com a força de sete bilhões, em nome de um bem comum global.

É uma honra para a ONU celebrar esta data aqui no Palácio do Itamaraty, um palácio que já em seu nome leva a grande tradição da diplomacia brasileira.

O Brasil é um país-membro fundador da Organização e que sempre esteve presente e se empenhou para o fortalecimento da ação das Nações Unidas desde seus primeiros passos.

A comemoração aqui no Brasil é também especialmente significativa porque o País vai sediar a Rio+20, em junho do próximo ano. A preparação da Conferência acontece em um momento complexo, quando, de muitos lados, vem sendo questionada a capacidade das organizações multilaterais de oferecer soluções para os problemas globais: a crise econômica, o aumento do desemprego e da desigualdade, os conflitos armados e a violação de direitos humanos, as mudanças climáticas, entre tantos outros.

20 anos atrás, a Rio 92 representou uma mudança importante na consciência global sobre a relação entre desenvolvimento e proteção do meio ambiente. Temos a esperança de que a Rio+20 represente um novo marco para a humanidade, afirmando um acordo global que garanta a sustentabilidade ambiental, a equidade e o desenvolvimento humano.

Estamos confiantes de que esta equação será resolvida. Para citar o Secretário-Geral da ONU: Temos que representar os pobres e mais vulneráveis em nome da paz global e da justiça social.

A ONU teve o privilegio de participar deste esforço da nação brasileira e está trabalhando, em conjunto com o governo, para a definição do novo marco de atuação do sistema ONU no País para os próximos quatro anos – de 2012 a 2015. O documento, que chamamos de UNDAF, contempla quatro pilares essenciais:

  • Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para todos
  • Economia verde e trabalho decente
  • Segurança e Cidadania
  • Cooperação Sul-Sul

Este documento será nosso guia para a parceria duradoura e cada vez mais forte com o governo brasileiro, refletindo os progressos alcançados pelo Brasil, e apoiando o País no esforço para compartilhar sua experiência com outras nações, através da cooperação Sul-Sul.

Aliás, gostaria de aproveitar as comemorações de hoje para falar de outro símbolo importante desta nossa parceria com o Brasil.

Tenho a honra de dar aqui uma notícia em primeira mão: na semana passada, foi assinado o contrato para a construção do primeiro edifício do complexo que hospedará a Casa da ONU em Brasília, no Setor de Embaixadas Norte.

Gostaria de agradecer o apoio do Governo Federal, em especial do Itamaraty – particularmente do Secretário-Geral, Embaixador Ruy Nogueira – e também do Governo do Distrito Federal. Estas parcerias tornaram possível a realização deste antigo sonho.

Nosso objetivo é, já no próximo aniversário da ONU, estar no novo prédio e poder comemorar esta data tão importante neste que será mais um marco para Brasília e para o Brasil.

Gostaria de ressaltar a importância que a Casa da ONU terá para o Brasil e para nossa organização.

No mundo inteiro, as Casas da ONU fazem parte do esforço da organização em coordenar, cada vez mais, seus trabalhos entre os fundos, programas e agências, trazendo resultados mais eficientes, coerentes e adequados às necessidades de cada país.

A construção desta Casa da ONU em Brasília representa o reconhecimento da comunidade internacional ao sucesso alcançado pelo Brasil nos últimos anos em termos de desenvolvimento humano. Contrariando muitas teorias econômicas e de desenvolvimento ainda em vigor, o Brasil é a prova de que um país tropical pode se desenvolver em poucos anos, atacando e resolvendo problemas históricos como a eliminação da fome e da desigualdade.

Finalmente, o crescimento significativo da cooperação Sul-Sul nas últimas décadas e o protagonismo do Brasil neste campo nos mostram que o mundo precisa de mais Brasil. E esta casa será a ponte entre este país tão rico e promissor e o resto do mundo, em especial os irmãos do hemisfério Sul que tanto precisam deste exemplo e desta cooperação.

Confiamos que, com o apoio dos parceiros que já mencionei e de outros, possamos mobilizar recursos necessários para completar em sua totalidade o Projeto da Casa da ONU.

Para finalizar, gostaria de convidar a todos a fazer 1 minuto de silêncio, para lembrar os colegas que morreram trabalhando pelos objetivos e ideais da ONU, como os 12 funcionários da Organização das Nações Unidas assassinados no ataque terrorista contra a sede da organização em Abuja, na Nigéria, no final de agosto.

E também para lembrar todos os milhões de seres humanos que morrem a cada ano no mundo porque os ideais da ONU ainda não viraram realidade.

As crianças que morrem por desnutrição e outras doenças que poderiam ser evitadas.

As mulheres que ainda morrem ao dar a luz por falta de atendimento mínimo adequado.

As pessoas que morrem de AIDS ou de malária, mesmo quando já sabemos como reduzir este problema.

Aos que morrem por desastres naturais porque não estavam preparadas para enfrentar estas catástrofes.

E, finalmente, a todos que morrem em guerras e conflitos que a comunidade internacional não conseguiu evitar.

Viva o Brasil! Viva as Nações Unidas! Muito obrigado!”