Desde o início do ano, já foram registrados 30 ataques a profissionais de assistência humanitária e a instalações de agências. Cerca de 140 organizações atuam no país.

Mulher deslocada do norte do Mali aguarda num abrigo temporário próximo a principal estação de ônibus, Mopti’s. Foto: PNUD / Nicolas Meulders
A coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Mali, Mbaranga Gasarabwe, condenou nesta sexta-feira (13) a violência crescente contra organizações humanitárias no país, onde já foram registrados 30 ataques a profissionais de assistência e a instalações desde o início do ano. O mais recente aconteceu há dois dias, quando uma explosão atingiu a entrada de um prédio que abrigava uma organização não governamental em Menaka, na região de Gao.
Embora não tenha deixado feridos e os danos materiais tenham sido limitados, o incidente faz parte de uma tendência perturbadora, afirmou a representante da ONU no país. Gasarabwe destacou que ataques a equipes e prédios de agências humanitárias constituem violações do direito internacional humanitário.
“Impedir o trabalho de organizações humanitárias afeta, em primeiro lugar e principalmente, as pessoas mais vulneráveis, os homens, mulheres e crianças para quem a assistência humanitária é frequentemente uma questão de sobrevivência”, disse Gasarabwe.
Cerca de 140 agências de assistência atuam no Mali, fornecendo água, alimentos, serviços de saúde, educação e abrigo a centenas de milhares de pessoas. A recente assinatura de um acordo de paz por todas as partes do conflito no país representa a oportunidade de construir uma paz duradoura, de acordo com a coordenadora humanitária da ONU.
Apesar dos avanços nas negociações, até que ações de recuperação e desenvolvimento a longo prazo sejam implementadas, os atores humanitários terão um papel fundamental na manutenção do atendimento às necessidades urgentes das comunidades, concluiu a representante.