Costa do Marfim enfrenta ameaças à estabilidade, diz ONU

Apesar de progressos, a presença de grupos armados, crime transnacional, terrorismo e pirataria são barreiras para a paz na nação africana, afirmou o Subsecretário-Geral da ONU para Operações de Manutenção da Paz.

Subsecretário-Geral das Nações Unidas para Operações de Manutenção da Paz, Edmond Mulet. Foto: ONU/Rick Bajornas

Subsecretário-Geral das Nações Unidas para Operações de Manutenção da Paz, Edmond Mulet. Foto: ONU/Rick Bajornas

Apesar do progresso considerável desde o fim da violenta crise pós-eleitoral, há dois anos, a Costa do Marfim enfrenta ainda uma ameaça significativa para a estabilidade a longo prazo. Dentre os fatores de risco estão a presença de grupos armados, o crime transnacional, terrorismo, pirataria e um setor de segurança em necessidade de reforma, disse nesta terça-feira (16) ao Conselho de Segurança da ONU o Subsecretário-Geral das Nações Unidas para Operações de Manutenção da Paz, Edmond Mulet.

“Algumas das principais ameaças identificadas incluem dinâmicas políticas e divisões profundas restantes, a existência contínua das redes associadas com o antigo regime que visam desestabilizar o governo e a informação da presença de mercenários, ex-combatentes e outros grupos armados ao longo da fronteira com a Libéria”, acrescentou Mulet.

Ele apresentou o último relatório do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre o país africano. A eleição presidencial de 2010, que pretendia ser o ponto culminante de um processo de paz de longa duração da ONU, resultou em meses de violência.

À época, o ex-presidente Laurent Gbagbo se recusou a deixar o cargo depois de perder para Alassane Ouattara. Gbagbo finalmente se rendeu e foi preso em abril de 2011.

Resumindo o relatório, Mulet ressaltou a necessidade de permanência  da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI). Há nove anos no país, a Missão tem como objetivo apoiar a reunificação e estabilização após a Costa do Marfim ter sido dividida pela guerra civil em 2002.

Em seu relatório, Ban Ki-moon recomendou que  a ONUCI, cuja força militar era de 9.552 pessoas em março, tenha pelo menos um batalhão reduzido para que em 31 de julho comporte 8.837 pessoas. Dessas, 8.645 seriam soldados e oficiais e 192 observadores militares de pessoal, com uma redução gradual de mais dois batalhões até meados de 2015, dependendo da situação no país.