Costa do Marfim: Justiça imparcial é chave para sucesso da eleição presidencial, diz relator da ONU

Apesar de algumas questões ainda não resolvidas no processo de reconciliação nacional, relator da ONU afirma que Costa do Marfim já possui fundamentos e base para recuperação.

Partidários do ex-presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, em um comício em fevereiro de 2014. Foto: IRIN/Alexis Adele

À medida em que a Costa do Marfim se prepara para realizar a eleição presidencial de 2015, o relator independente das Nações Unidas encarregado de avaliar a situação dos direitos humanos no país africano, Doudou Diène, expressou preocupação com questões ainda não resolvidas no processo de reconciliação nacional.

Chamando a atenção para alguns problemas remanescentes que precisam ser resolvidos para que a próxima eleição presidencial possa ser “credível e consensual”, Diène destacou a “imparcialidade e equidade da justiça”, um “processo democrático inteiramente participativo” e uma revisão da comissão eleitoral independente do país — afirmando que “todos concordam que tem que ser reformada, pois não reflete a realidade do cenário político da Costa do Marfim” — como prioridades.

“A eleição presidencial de 2015 tem que ser o último teste e a prova de que a Costa do Marfim se recuperou desta crise”, afirmou Diène ao apresentar seu mais recente relatório, nesta quinta-feira (27) ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

“A Costa do Marfim está no caminho de se recuperar de dez anos de crise violenta, mas é apenas um processo, porque a crise tem sido muito profunda”, disse o especialista em direitos humanos. “Levará tempo para que a Costa do Marfim se recupere totalmente, mas  sinto que os fundamentos foram reconstruídos e a base já está lá para a recuperação.”