ONU: Cresce drasticamente número de mortes de refugiados que tentam chegar ao Iêmen em 2014

Número já é maior do que a soma dos últimos três anos. Os incidentes decorrem dos perigos gerados pelas embarcações superlotadas e clandestinas que chegam ao país.

Migrantes chegando ao Iêmen. Foto: SHS-ACNUR

Migrantes chegando ao Iêmen. Foto: SHS-ACNUR

O número de migrantes e de pessoas em busca de abrigo que morreram durante tentativas de chegar ao Iêmen – principalmente vindas do Chifre da África – foi maior no ano de 2014 do que nos últimos três anos somados, relatou a agência de refugiados da ONU nesta sexta-feira (17).

A perda de vidas humanas é decorrente do aumento dramático do número de pessoas que se deslocaram em barcos para o Iêmen em setembro deste ano. Mais de 12 mil pessoas chegaram ao país neste período – o maior dentre os registros já obtidos, que tiveram início em 2002.

Os barcos que chegam ao Iêmen geralmente oferecem perigo devido à superlotação e há relatos de pessoas terem sido jogadas para fora das embarcações para evitar que estas virassem no mar ou que os seus responsáveis fossem detidos. Oficiais estimam que a prática já tenha resultado em centenas de mortes não documentadas nos últimos anos.

O trágico incidente ocorrido no início de outubro deste ano na região causou a morte de 64 migrantes e três membros da tripulação, de acordo com comunicado à imprensa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Este foi o episódio do gênero mais trágico de 2014, que já soma um número total de 215 mortes até agora.

As pessoas em busca de abrigo que chegam à costa do Iêmen estão frequentemente desidratadas e exaustas. O ACNUR e seus parceiros proveem auxílio e alimentos aos que se encontram em situação lúgubre antes de transportá-los ao centro de recepção mais próximo.

Apesar do comprometimento e das iniciativas do governo local e de outras instituições, é preciso que os países de origem, de trânsito e de destino dessas populações cooperem para gerir os fluxos de migrantes, que geralmente estão fugindo de situações ameaçadoras de insegurança, seca e falta de meios de subsistência em suas nações.