Crescente uso de retórica religiosa pode agravar violência na Síria, alerta ONU

Para assessor especial das Nações Unidas sobre a prevenção do genocídio, exploração de tensões religiosas em lutas políticas e armadas pode ser catastrófica.

Assessor especial das Nações Unidas sobre a prevenção do genocídio, Adama Dieng. Foto: ONU/Rick Bajornas

O crescente uso da retórica por líderes políticos e religiosos no contexto da crise síria pode agravar a violência no país e aumentar tensões entre os diferentes grupos da região, alertou o assessor especial das Nações Unidas sobre a prevenção do genocídio, Adama Dieng, nesta segunda-feira (8).

“A história tem mostrado que explorar as tensões religiosas no contexto de uma luta política e armada pode incitar a violência e levar a atrocidades em larga escala”, disse Dieng, expressando preocupação com as recentes declarações de alguns líderes religiosos que têm retratado o conflito sírio como religioso.

“Peço a todos os líderes das grandes regiões que ajam com responsabilidade e não utilizem ou tolerem qualquer linguagem que possa agravar as tensões sectárias”, apelou o assessor. “Todos os Estados devem abster-se de contribuir para tais crimes, inclusive tolerar discursos de ódio e estímulos à violência contra grupos específicos da população”, acrescentou Dieng. “Se não agirmos agora, há um sério risco de que a violência sectária possa se espalhar por toda a região.”

Dieng recordou o documento final da Cúpula Mundial de 2005, no qual todos os chefes de estado e de governo se comprometeram a proteger as populações contra o genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica, crimes contra a humanidade, incluindo incitação a eles. A comunidade internacional também se comprometeu a tomar uma ação coletiva para proteger suas populações contra o genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade.