Salários dos trabalhadores, no entanto, cresceram em ritmo menor que a produtividade laboral durante a última década na maioria dos países analisados por relatório publicado hoje (7).
O crescimento real dos salários no Brasil em 2011, já descontada a inflação, foi de 2,7%, ficando bem acima da taxa mundial de 1,2%. Desconsiderando a China do cenário global, a diferença chega a ser 13 vezes maior, pois sem o gigante asiático, os salários no mundo cresceram apenas 0,2%.
As informações são do Relatório Mundial sobre Salários 2012/13, divulgado hoje (7) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O crescimento nos salários brasileiros vai ao encontro da tendência dos últimos seis anos, com média de crescimento real acima dos 3%, apesar da crise internacional de 2008. Na América Latina, o ritmo é acompanhado por Uruguai e Peru, seguidos por Chile e Costa Rica, com a média de 2%.
Apesar do crescimento, a diferença nominal entre países desenvolvidos e em desenvolvimento permanece grande. A OIT calcula que para cada hora trabalhada no setor manufatureiro do Brasil, um operário recebe o equivalente a 5,40 dólares. Nos Estados Unidos, para o mesmo período trabalhado a remuneração é de 23,30 dólares.
Mundo mais desigual
Os salários dos trabalhadores cresceram em ritmo menor que a produtividade laboral durante a última década na maioria dos países analisados pelo relatório publicado hoje pela OIT. A produtividade laboral, que se refere ao valor dos bens e serviços produzidos por cada trabalhador, gerou mudanças na distribuição de renda, com os trabalhadores se beneficiando menos dos frutos do trabalho enquanto os proprietários dos capitais se beneficiam mais.
“Esta é uma tendência indesejada que, onde exista, é preciso ser revertida”, disse o Diretor-Geral da OIT, Guy Ryder. “Em nível social e político, sua interpretação mais clara é que os trabalhadores e suas famílias não estão recebendo o que merecem”. Nas economias desenvolvidas, a produtividade laboral aumentou mais do que o dobro dos salários desde 1999.
Nos Estados Unidos, a produtividade laboral por hora nas empresas não agrícolas aumentou em cerca de 85%, enquanto que as remunerações aumentaram somente cerca de 35% desde 1980. Na Alemanha, a produtividade laboral aumentou em quase um quarto ao longo das duas últimas décadas, enquanto os salários se mantiveram estáveis. Inclusive na China – onde os salários quase triplicaram durante a última década – a renda laboral diminuiu enquanto o PIB aumentou muito mais rápido que o gasto salarial total.
O relatório adverte que os encarregados de tomar decisões políticas deveriam ter cuidado de não promover a produtividade às custas dos salários com o objetivo de conseguir maior produtividade e promover as exportações.
Crescimento dos salários está abaixo dos níveis anteriores à última crise
O crescimento dos salários continua abaixo do período anterior à crise mundial e tem sido negativo nas economias desenvolvidas, mas continua aumentando nas economias emergentes. Os salários mensais – salários ajustados à inflação, também conhecidos como salários médios reais – cresceram 1,2% em 2011, diante de 3% 2007 e 2,1% em 2010. Estas cifras seriam ainda mais baixas se fosse excluída a China, afirma o relatório.
“O informe mostra com clareza que a crise teve um forte impacto sobre os salários e, por extensão, sobre os trabalhadores”, disse Ryder. “Mas o impacto não foi uniforme. No geral, os salários cresceram com maior força nas zonas com maior crescimento econômico”.
Enquanto os salários tiveram uma dupla queda nas economias desenvolvidas, nas quais se prevê crescimento zero para 2012, os mesmos se mantiveram positivos durante toda a crise na América Latina e no Caribe, na África e ainda mais na Ásia.
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- Veja a íntegra do relatório em inglês
- Veja resumo executivo do relatório em espanhol
- Veja resumo executivo do relatório em português