O sofrimento das crianças na guerra da Síria atingiu o “fundo do poço” em 2016 com o maior número de graves violações desde que o monitoramento começou em 2014, revelou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta segunda-feira (13), pedindo que todas as partes encontrem uma solução política imediata para pôr fim ao conflito.

Menina de 7 anos em frente a escola danificada pela guerra em Idleb, na Síria, em outubro de 2016. Foto: UNICEF
O sofrimento das crianças na guerra da Síria atingiu o “fundo do poço” em 2016 com o maior número de graves violações desde que o monitoramento começou em 2014, revelou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta segunda-feira (13), pedindo que todas as partes encontrem uma solução política imediata para pôr fim ao conflito.
De acordo com o UNICEF, ao menos 652 crianças morreram no ano passado — um aumento de 20% em relação a 2015 — 255 delas foram mortas dentro ou próximo de uma escola. O recrutamento de crianças para a guerra também teve forte aumento, enquanto a violência pelo país teve uma escalada dramática.
“A profundidade do sofrimento é sem precedentes. Milhões de crianças na Síria estão sob ataque diariamente, suas vidas viraram de cabeça para baixo”, disse o diretor regional do UNICEF para Oriente Médio e Norte da África, Geert Cappelaere, em comunicado enviado à imprensa anunciando o estudo “Atingindo o fundo do poço: como 2016 se tornou o pior ano para as crianças na Síria”.
“Cada criança está traumatizada com as consequências horrendas da guerra para sua saúde, bem-estar e futuro”, acrescentou.
A agência da ONU também enfatizou que os desafios de acesso a diversas partes do país impediam a entrega de assistência humanitária e a mitigação do sofrimento das crianças.
As crianças mais vulneráveis somam 2,8 milhões em áreas de difícil acesso, incluindo 280 mil crianças vivendo em locais sitiados, quase completamente isoladas da ajuda humanitária.
“Além das bombas, balas e explosões, as crianças estão frequentemente morrendo em silêncio devido a doenças que poderiam ser facilmente evitadas. O acesso a serviços de saúde, suprimentos e outros serviços básicos permanece difícil”, afirmou o comunicado.
O UNICEF também alertou que os mecanismos de cooperação estão ruindo tanto na Síria como em suas fronteiras — as famílias estão tomando medidas extremas para sobreviver, frequentemente empurrando suas crianças para o casamento precoce e para o trabalho infantil.
Após seis anos de guerra, aproximadamente 6 milhões de crianças dependem agora de assistência humanitária, um aumento de 12 vezes em relação a 2012. Milhões de crianças foram deslocadas, algumas até sete vezes.
De acordo com estimativas, mais de 2,3 milhões de crianças estão vivendo atualmente em campos de refugiados em Turquia, Líbano, Jordânia, Egito e Iraque.