Crimeia: secretário-geral e outras autoridades da ONU alertam para situação crítica na Ucrânia

“Estou cada vez mais alarmado com os acontecimentos na Ucrânia”, disse Ban. “Os recentes acontecimentos, em particular na Crimeia, só serviram para aprofundar a crise.”

Veículo queimado durante manifestação em Kiev, Ucrânia. Foto: ONU

Com o aumento das tensões e da desconfiança na Ucrânia, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira (10) que a comunidade internacional ajude as partes envolvidas a acalmar a situação e trabalhar para uma solução política duradoura e justa.

“Estou cada vez mais alarmado com os acontecimentos na Ucrânia”, disse Ban, pedindo a todos os lados para evitar ações precipitadas e retóricas provocativas. “Os recentes acontecimentos, em particular na Crimeia, só serviram para aprofundar a crise”, acrescentou, referindo-se ao caso em que os legisladores da região autônoma ucraniana, a Crimeia, votaram para se aliarem à Rússia e realizar um referendo em 16 de março para validar a decisão.

“Neste momento crucial não podemos permitir qualquer erro de cálculo ou omissão”, advertiu Ban, ressaltando que uma solução para crise deve ser encontrada com base nos princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo a resolução pacífica de conflitos e respeito pela unidade, soberania e integridade territorial da Ucrânia.

secretário-geral assistente da ONU para os Direitos Humanos, Ivan Šimonovic, enviado para a Ucrânia a pedido de Ban, continua avaliando a situação de direitos humanos no país, realizando reuniões com o ministro das Relações Exteriores, a Ouvidoria, a comunidade diplomática em Kiev, organizações internacionais e representantes da sociedade civil. Šimonovic deve deixar o país em 15 de março.

A representante permanente de Luxemburgo, Sylvie Lucas, que detém a presidência do Conselho de Segurança da ONU durante este mês, também falou sobre sua “profunda preocupação com a crise em curso, enfatizando mais uma vez a necessidade urgente de uma de-escalada [da crise]. Ela reiterou a necessidade de todas as partes exercerem a máxima contenção e absterem-se de ações e retóricas que podem agravar ainda mais a situação ou danificar a atmosfera necessária para um diálogo genuíno”.

Lucas enfatizou que a decisão do Conselho Supremo da Crimeia de realizar um referendo sobre o status da região no dia 16 de março é contrária à Constituição da Ucrânia e, portanto, ilegal.