Crimes contra a humanidade e crimes de guerra estão sendo cometidos na Síria, afirma Navi Pillay

“O Governo tem a responsabilidade de proteger os civis contra todas as formas de violência”, disse a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay (ONU/Jean-Marc Ferré)Expressando “profundo alarme” com a ameaça crescente aos civis na Síria, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, acaba de pedir hoje (27) ao governo e à oposição armada que protejam os civis e cumpram suas obrigações sob o Direito Internacional Humanitário e de direitos humanos; caso contrário, terão que enfrentar as consequências.

“O Governo tem a responsabilidade de proteger os civis contra todas as formas de violência”, disse Pillay. “Civis e bens civis – incluindo casas e outras propriedades, empresas, escolas e locais de culto – devem ser protegidos em todos os momentos. Todas as partes, incluindo as forças do Governo e oposição, devem garantir que alvos civis e militares sejam distinguidos”, acrescentou.

A Síria vem sendo devastada pela violência, com mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, mortas desde o levante contra o Presidente Bashar al-Assad, que começou há cerca de 16 meses. Nos últimos dias, houve aumento de denúncias de violência em muitas cidades e vilas, bem como nas duas maiores cidades sírias, Damasco e Aleppo.

Assassinatos e homicídios intencionais, sejam eles cometidos por forças do governo ou da oposição, constituem crimes contra a humanidade ou crimes de guerra. “A tortura, da mesma forma, é proibida em todas as circunstâncias”, disse Pillay. “Com base nas evidências e em provas recolhidas, acreditamos que crimes contra a humanidade e crimes de guerra estão sendo cometidos na Síria.”

“Aqueles que os cometem não devem acreditar que vão fugir da justiça. O mundo não vai esquecer ou perdoar crimes como estes”, acrescentou. “Isto se aplica às forças da oposição, bem como às forças do Governo e aos seus aliados.