Crise de refugiados palestinos é uma ‘bomba-relógio’ no Oriente Médio, adverte ONU

Segundo as últimas estatísticas, Gaza hoje apresenta o maior número de desemprego do mundo, com mais de 60% da população jovem sem trabalho, uma situação agravada pelo bloqueio econômico ao território.

Alto desemprego em Gaza e bloqueio econômico agrava a situação dos palestinos na região. Foto: UNRWA Archives/Shareef Sarhan

Alto desemprego em Gaza e bloqueio econômico agrava a situação dos palestinos na região. Foto: UNRWA Archives/Shareef Sarhan

As condições implacáveis que afligem milhões de deslocados palestinos em todo o Oriente Médio arriscam desestabilizar a região e mergulhá-la em uma crise humanitária e de segurança ainda mais grave, alertou o chefe da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

“O isolamento, exclusão e desapropriação dos refugiados da Palestina na Síria, Gaza, Cisjordânia, Jordânia e Líbano representa uma bomba-relógio para a região do Oriente Médio”, disse o comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl nesta terça-feira (16) durante a reunião do Comitê Consultivo da agência em Amã (Jordânia). Com fundos limitados, que não chegam a 30% do solicitado aos doadores para programas essenciais, a agência encontra restrições para executar os planos traçados a favor da reconstrução de Gaza e escolarização de meio milhão de crianças, por exemplo.

Krähenbühl contou aos delegados presentes que mais de cinco milhões de refugiados palestinos vivem atualmente uma “crise em várias frentes” que resulta em uma “negação de suas dignidades e direitos”. Segundo as últimas estatísticas, Gaza hoje apresenta o maior número de desemprego do mundo, com mais de 60% da população jovem sem trabalho, uma situação agravada pelo bloqueio econômico ao território. O conflito na Síria levou mais de 60 mil refugiados da Palestina a fugir do país para o Líbano e Jordânia, aumentando a pressão nas comunidades receptoras.

O comissário-geral também lembrou a terrível condição que os refugiados vivem no campo de Yarmouk (Síria) “em um cerco impiedoso”, onde mais de 18 mil palestinos e sírios sobrevivem “privados de água, eletricidade, comida e saúde básica”, disse.