Confrontos armados de militantes ligados a Al-Qaeda em Al-Anbar, maior província do Iraque, ameaçam construção da democracia no país. Quase 70 mil civis já foram deslocados de suas residências.

Expulsa de sua casa pela crise em Al-Anbar, mulher recebe auxílio da agência da ONU para refugiados (ACNUR). Foto: ACNUR
O chefe da missão de assistência da ONU no Iraque (UNAMI), Nickolay Mladenov, informou nesta quinta-feira (27) que os confrontos armados na província de Al-Anbar, iniciados há três meses, inviabilizam as atividades do parlamento iraquiano e põem em xeque as eleições nacionais, marcadas para o dia 30 de abril.
É de Al-Anbar, diz, “que surgem as maiores ameaças à segurança da nação”. Sobre os responsáveis pela violência, que possuem ligações com a organização terrorista Al-Qaeda, Mladenov foi direto: “Eles se aproveitam de divisões e fraquezas na sociedade iraquiana para tornar o país ingovernável”.
Com a violência, o Conselho de Representantes – centro do poder legislativo no Iraque – vêm sofrendo boicotes de seus três principais grupos políticos, ameaçando não apenas a terceira eleição nacional do país desde a adoção da nova constituição em 2005, como também as eleições regionais do Curdistão iraquiano, uma importante área autônoma.
“Estamos confiantes que, sob uma perspective técnica, ambas as eleições acontecerão na data prevista”, assegurou, notando que 75% dos novos cartões eletrônicos para voto já foram distribuídos.
Direitos humanos sob ameaça
Desde o início da crise, mais de 66 mil famílias deixaram suas residências. Muitas delas se encontram presas em áreas de intenso conflito.
“Apesar das dificuldades”, informou o chefe da UNAMI, “as Nações Unidas estão providenciando ajuda onde podem, sendo que recentemente conseguiram alcançar regiões outrora inatingíveis”.
Mladenov alertou que a situação não pode ser abordada de forma isolada da região: “Os conflitos na Síria inflaram tensões separatistas e permitiram que redes terroristas estabelecessem links entre fronteiras, expandindo sua base de apoio. Somado às rivalidades já existentes entre comunidades iraquianas, tudo isso resulta em uma instável e explosiva combinação”.