Atualmente, mais de 10,7 milhões de pessoas estão em necessidade de assistência e cerca de 2,4 milhões de pessoas estão deslocadas, sendo mais de 1,5 milhão crianças.
Em reunião com o Conselho de Segurança na semana passada (12), funcionários do alto escalão da ONU destacaram a deterioração da situação humanitária na região da bacia do Lago Chade e pediram medidas imediatas para apoiar a segurança no local e as ações políticas.
“A crise humanitária em todo o nordeste da Nigéria e em parte dos Camarões, do Níger e do Chade, desencadeada pela campanha horrível, violenta e desumana promovida pelo Boko Haram, está se aprofundando”, alertou o subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, Stephen O’Brien.
Ele acrescentou que, desde seu último informe em julho passado, a crise tinha piorado ainda mais e, como consequência, mais de 10,7 milhões de pessoas estão em necessidade de assistência. Cerca de 2,4 milhões de pessoas estão atualmente deslocadas, sendo mais de 1,5 milhão crianças.
Além desses desafios, a região também enfrenta uma grande crise alimentar e nutricional e, apesar da resposta da ONU e de outras organizações de socorro, o número de pessoas com insegurança alimentar em necessidade de assistência aumentou de cerca de 3 milhões por ano para mais de 7,1 milhões.
“Apesar de toda a assistência empreendida hoje, há previsões de que essa situação possa piorar e de que os números de pessoas em necessidade subir”, acrescentou O’Brien.
Ele observou que o plano de resposta humanitária de 2017 e o apelo para a bacia do lago do Chade dobrou em comparação com o pedido de 2016, e apelou para a continuação e o aumento do apoio dos doadores.

Refugiados nigerianos deixando o acampamento em Ngouboua, na costa do Lago Chade. Foto: ACNUR/Olivier Laban-Mattei
O secretário-geral assistente da ONU para assuntos políticos, Tayé-Brook Zerihoun, informou ao Conselho que, apesar das operações militares contra o Boko Haram, o grupo armado continua ameaçando a segurança e a estabilidade na área, como ilustrado nos ataques recentes dos últimos dias.
Tayé-Brook Zerihoun também expressou preocupação com as alegações de violações dos direitos humanos e com o desrespeito ao direito humanitários, incluindo relatos de violência sexual, casamento forçado e escravidão.
“A promoção e a proteção dos direitos humanos das vítimas do terrorismo devem ser prioridades nas respostas nacionais a esses atos”, frisou.
Ele sublinhou que uma abordagem militar não traria fim ao grupo e pediu que os países afetados enfrentem simultaneamente as consequências humanitárias e as causas que levem à emergência do Boko Haram.
“As operações militares devem ser acompanhadas de medidas de estabilização, de restabelecimento da autoridade estatal e de respostas às reivindicações sociais, econômicas e políticas das comunidades marginalizadas”, concluiu.