Crise na República Centro-Africana atinge população inteira, afirma ONU

País precisa restabelecer Estado de Direito com urgência para que conflito não force a interrupção da ajuda humanitária. Cerca de 35% da população pode morrer se não receber ajuda.

Subsecretária-geral da ONU para assuntos humanitários, Valerie Amos. Foto: ONU/Rick Bajornas

A subsecretária-geral da ONU para assuntos humanitários, Valerie Amos, pediu nesta quinta-feira (11) que as autoridades da República Centro-Africana (RCA) restabeleçam com urgência o Estado de Direito para que não haja impedimento de acesso ao país nem se interrompa a assistência humanitária.

“Toda a população de 4,6 milhões de pessoas é afetada pela crise. Metade é criança”, disse Amos. “As necessidades humanitárias são enormes e estão aumentando, com 1,6 milhão de pessoas precisando de ajuda.”

A terrível situação humanitária na RCA foi agravada pelos conflitos nos últimos seis meses, que deterioraram até mesmo os serviços mais básicos. A violência eclodiu em dezembro de 2012, quando a coalizão rebelde Séléka lançou uma série de ataques. Em janeiro, chegou-se a um acordo de paz, mas os rebeldes tomaram a capital Bangui em março, forçando o presidente François Bozizé a fugir.

Amos e a comissária europeia para a cooperação internacional, ajuda humanitária e resposta às crises, Kristalina Georgieva, encerram nesta sexta-feira (12) uma visita de dois dias ao país, onde verificam a situação humanitária.

Georgieva afirmou que 35% da população é particularmente vulnerável e precisa de assistência direcionada para salvar vidas. A comissária anunciou um financiamento adicional de 8 milhões de euros, aumentando a ajuda da União Europeia no país para 20 milhões de euros este ano.

A subsecretária-geral da ONU e a comissária da UE se reuniram com o chefe da transição política no país, Michel Nondokro Djotodia, e os membros do governo de transição para pedir que as autoridades garantam condições de trabalho para as organizações humanitárias.

No primeiro semestre de 2013, a comunidade de ajuda humanitária atendeu levou alimentos para 484 mil pessoas no país, alcançando 45% de seu objetivo. Cerca de 8 mil pessoas com desnutrição aguda grave receberam tratamento e 123 mil crianças foram vacinadas contra o sarampo.