Crise na Síria é ‘afronta intolerável para consciência humana’, diz chefe de direitos humanos da ONU

Segundo relatos, bombardeios aéreos do governo mataram ou feriram centenas de pessoas. Forças de oposição estão usando civis como “escudos humanos”, além de realizar torturas e execuções extrajudiciais.

Alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

A alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay, pediu nesta segunda-feira (27) que a comunidade internacional interrompa o derramamento de sangue e sofrimento crescente na Síria, ressaltando que o conflito no país do Oriente Médio se tornou “uma afronta intolerável para a consciência humana”.

Em discurso na abertura da 23 ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Pillay enfatizou que os países não podem continuar a ignorar o apelo de civis que estão em necessidade urgente de proteção e assistência. A alta comissária pediu que o Conselho de Segurança da ONU relate a crise síria ao Tribunal Penal Internacional, enfatizando que os crimes de guerra cometidos por todas as partes do confronto não podem ficar impunes.

Pillay observou que uma equipe enviada em março pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para acompanhar a situação na Síria e nos países vizinhos recebeu informações sugerindo que o governo sírio continua a usar força indiscriminada em áreas residenciais. Segundo ela, há relatos de centenas de civis mortos ou feridos, e outros milhares podem ter ficado presos pelo indiscriminado bombardeio e ataques aéreos por forças do governo na cidade de Al Qusayr.

“Brutais violações dos direitos humanos também estão sendo cometidas por grupos antigovernamentais. Relatos da nossa equipe de monitoramento sugerem que grupos armados aparentemente usaram civis como escudos humanos, e que os sequestros estão aumentando”, disse Pillay. “Os relatos incluem alegações de que certos grupos de oposição forçaram mulheres jovens e meninas menores a casarem com combatentes. E continuamos a receber relatos de grupos antigovernamentais cometendo crimes horríveis, como a tortura e execuções extrajudiciais.”

Desde março de 2011, os conflitos entre o governo sírio e as forças de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar al-Assad já mataram mais de 80 mil pessoas e deixaram 6,8 milhões em necessidade humanitária. Além disso, a ONU estima que mais de 1,5 milhão de sírios fugiram de seu país para escapar dos conflitos.