Crise no Egito se aprofunda e secretário-geral da ONU pede rigor em investigações de mortes

Ban Ki-moon se disse “profundamente perturbado” com mortes de mais de 50 pessoas em protestos nesta segunda-feira (8). Chefe da ONU pediu a todos os egípcios que fiquem “atentos” para a situação “precária” pela qual passa o país.

Confrontos com policiais tornaram-se uma cena comum no centro do Cairo, como este registrado em fevereiro deste ano. Foto: IRIN/Amr Emam

Confrontos com policiais tornaram-se uma cena comum no centro do Cairo, como este registrado em fevereiro deste ano. Foto: IRIN/Amr Emam

Seriamente preocupado com a intensificação da violência no Egito, o chefe da ONU condenou nesta segunda-feira (8) o assassinato de dezenas de pessoas em um local de protesto em massa no Cairo e pediu a todos os lados para “fazer todo o possível para evitar uma maior escalada” da crise política no país.

Uma declaração emitida pelo seu porta-voz disse que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está “profundamente perturbado” com as mortes notificadas de mais de 50 pessoas em protestos em frente à sede da Guarda Republicana do Egito, no mesmo dia. Ban Ki-moon expressou “sinceras condolências” às famílias das vítimas.

“O secretário-geral condena esses assassinatos e pede para que eles sejam investigados por órgãos nacionais independentes e competentes, e aqueles responsáveis devem ser levados à justiça”, diz o comunicado.

Ban tem demonstrado preocupações como os relatos da imprensa que citam confrontos em curso e prisões em massa em todo o Egito. Na quarta-feira, 3 de julho, militares egípcios depuseram o presidente Mohamed Morsi, suspenderam a Constituição e abriram caminho para um governo interino. Desde então, adversários e simpatizantes de Morsi tem se enfrentado em grandes manifestações, com uma reação intensa das forças de segurança. A situação é descrita pela ONU como o “aprofundamento do caos”.

O chefe da ONU pediu a todos os egípcios que fiquem “atentos” para a situação “precária” pela qual passa o país, acrescentando que a população deve fazer “todo o possível” para evitar uma nova escalada. Ban pediu a todas as partes para agir com a máxima contenção. “Os protestos devem permanecer pacíficos e as forças de segurança devem cumprir rigorosamente as normas internacionais”, acrescenta.