Crise síria torna reforma da ONU mais urgente, avaliam ministros europeus

Mudança no Conselho de Segurança é tema de discursos na 67ª sessão da Assembleia Geral. Estados-Membros pedem intervenção para conter violência no Oriente Médio.

O ano e meio de violência mortal na Síria é testemunho claro da necessidade de reformar as Nações Unidas, reforçando as suas capacidades de prevenção, afirmaram ministros europeus na Assembleia Geral da ONU na sexta-feira (28).

“A verdade é que o Conselho de Segurança tornou-se um obstáculo aos esforços internacionais para enfrentar e resolver situações como a da Síria”, declarou o Ministro das Relações Exteriores da Islândia, Össur Skarphéðinsson.

“O problema da Síria é também uma chamada de atenção para a ONU no que diz respeito ao Conselho de Segurança. A Síria demonstrou o quão misterioso o Conselho é, e como está fora de sintonia com as necessidades do mundo moderno”, acrescentou.

Resoluções para resolver a situação da Síria foram vetadas duas vezes, a mais recente em julho.

Para o Ministro das Relações Exteriores de Montenegro, Nebojša Kaluderovic, “a escala e as consequências da violência na Síria servem como um lembrete austero da importância de medidas preventivas na preservação da paz e da segurança internacionais, o que requer reforço das capacidades da ONU de prevenção e o papel do diálogo e da mediação na resolução pacífica de conflitos”.

Classificando a crise síria como um “desafio existencial” para a ONU, a Ministra da Relações Exteriores de Liechtenstein, Aurelia Frick, pediu que os membros permanentes do Conselho de Segurança — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — abdiquem do direito de veto em questões que envolvem atrocidades.

“Pedimos que eles reconheçam que o Conselho deve agir sempre de acordo com os objetivos e princípios das Nações Unidas”, diz Frick. “E nós, portanto, solicitamos que se comprometam a não utilizar o veto para bloquear ação do Conselho destinada a impedir ou acabar com genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.”

Já o Ministro das Relações Exteriores de Andorra, Gilbert Saboya Sunyé, disse que “embora a forma como o sistema das Nações Unidas trabalha seja realmente longe do ideal, não devemos esquecer, contudo, que a realidade atual parecia um sonho inatingível há um século”.