Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, ministro das relações exteriores de Cuba, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, observou o progresso nas relações diplomáticas, no diálogo e na cooperação em áreas de interesse mútuo.
No entanto, destacou que o bloqueio econômico ainda em vigor continua causando sérios danos e sofrimentos à população de Cuba, bem como prejudicando o funcionamento da economia cubana e sua relação com outros países.

Rua em Havana, capital de Cuba. Foto: Radmilla Suleymanova
Em seu discurso na Assembleia Geral na última quinta-feira (22), o ministro das relações exteriores de Cuba, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, disse que, embora o restabelecimento das relações diplomáticas entre a ilha e os Estados Unidos tenha alcançado “algum progresso” nas relações bilaterais, as décadas de bloqueio econômico contra Cuba continuam em vigor e ainda há um longo caminho pela frente para se chegar a normalização das relações.
Parrilla observou o progresso nas relações diplomáticas, no diálogo e na cooperação em áreas de interesse mútuo, como evidenciado pelas visitas de alto nível que têm ocorrido, inclusive pelo presidente dos EUA, Barack Obama.
No entanto, destacou que o bloqueio ainda em vigor continua causando sérios danos e sofrimentos à população de Cuba, bem como prejudicando o funcionamento da economia cubana e a sua relação com outros países.
Além disso, ele citou os exemplos recentes dos danos econômicos e financeiros causados pelo bloqueio a Cuba e a países terceiros.
“Enquanto isso continua acontecendo, vamos continuar apresentando a esta Assembleia o projeto de resolução sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba”, disse ele, reiterando que o governo cubano continuará desenvolvendo um diálogo respeitoso com as autoridades norte-americanas, a fim de avançar na normalização das relações.
“[Isso] significa a construção de um novo modelo de relações bilaterais em nossa história comum, que nunca pode ser esquecida. Para que isso seja possível, será indispensável que um dia o bloqueio acabe. O território ilegalmente ocupado pela base naval dos EUA em Guantánamo, contra a vontade de Cuba, deve ser devolvido ao nosso país”, frisou.

Ministro das relações exteriores de Cuba, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, em seu discurso na 71ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU / Cia Pak
Referindo-se a questões de desenvolvimento mais amplas, Parrilla disse que a diferença entre as deliberações cubanas e as realidades dos povos persiste.
“A falta de vontade política dos Estados industrializados se torna evidente. Os padrões irracionais de consumo e as produções do capitalismo que levam à destruição das condições de vida no planeta são replicados”, declarou.
Parrilla disse que os enormes estoques nucleares e convencionais e o orçamento militar anual de 1,7 trilhão de dólares desmentem aqueles que afirmam que não há recursos para erradicar a pobreza e do subdesenvolvimento. “Há muitos argumentos que justificam a urgência da construção de uma nova arquitetura financeira internacional”, frisou.
De acordo com Parrilla, a ONU deve ser defendida do unilateralismo e, ao mesmo tempo, a Organização precisa ser mais democrática; ser mais próxima dos problemas, necessidades e aspirações dos povos; capaz de conduzir o sistema internacional à paz, ao desenvolvimento sustentável e ao respeito de todos os direitos humanos para todos.
Entre outras coisas, ele pediu a reforma do Conselho de Segurança, em termos de sua composição e métodos de trabalho; o fortalecimento da Assembleia Geral; e a restauração das funções que foram usurpadas pelo Conselho, que devem orientar a busca para uma organização mais democrática e eficiente.