O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estreia nesta segunda-feira (22) uma série de entrevistas exclusivas com atletas que participaram ou apoiaram os Jogos Rio 2016. A primeira entrevista é com a judoca e medalhista de ouro Rafaela Silva.

Rafaela Silva ganhou ouro na Rio 2016. Foto: Brasil2016 / Roberto Castro
Rafaela Silva nasceu na comunidade da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Na infância, ela confessa, não gostava de ir à escola. Aos cinco anos, teve o primeiro contato com o judô e, desde então, sua vida nunca mais foi a mesma.
Medalhista de ouro dos Jogos Rio 2016 na categoria de até 57 kg, a judoca relata, em entrevista exclusiva ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, como o Instituto Reação foi fundamental para que ela conseguisse seguir a carreira de atleta de alto rendimento.
Criado em 2003 pelo também campeão olímpico Flávio Canto, o local promove inclusão social por meio do esporte e da educação. A organização é uma das 81 instituições que formam a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS), fundada com o apoio da agência da ONU e que usa o esporte como ferramento de desenvolvimento humano. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
Como foi o início da sua trajetória no judô?
Eu morava na Cidade de Deus, tinha cinco anos, meus pais trabalhavam e não tinham com quem deixar nem eu nem a minha irmã. Eles precisavam ocupar a gente com alguma coisa e, então, começamos a ir na Associação do Moradores. Lá, eles forneciam algumas aulas de esportes, como judô, dança e futebol. Minha primeira opção era futebol, só que só tinha masculino, não tinha feminino. Então acabei entrando no judô que, na verdade, era minha segunda opção.
Você acredita que o judô, e o esporte em geral, pode ser um fator de inclusão social?
Com certeza! Comigo mesma isso aconteceu, o judô me ajudou bastante. Antes de praticar o esporte, eu não estudava muito, não ligava muito para respeito aos mais velhos. Através do judô, meu professor falava coisas como isso. Ele cobrava não só o treinamento, mas também um bom comportamento em casa e um boletim escolar.
Você também participou desde muito jovem do Instituto Reação. Como isso ajudou você a seguir na carreira como judoca e chegar a um pódio olímpico?
Com oito anos, eu fui para o Reação, e isso me ajudou bastante. Quando eu comecei na Associação de Moradores, que era uma associação para tirar as crianças da rua e ensinar a arte marcial que é o judô, o objetivo não era fazer com que a gente se tornasse atleta de competição, até porque a gente não era federado e não podia competir. Quando eu fui para o Reação é que eu comecei a treinar. Aí o professor Geraldo Bernardes disse que eu tinha talento e que ia me colocaria na Seleção Brasileira de Judô. Foi então que eu comecei a competir, com oito para nove anos.
E para quem você dedica essa medalha olímpica que você conquistou no Rio de Janeiro?
Para meu professor que sempre acreditou, sempre me incentivou… Acreditou, confiou e investiu – porque (era) ele que pagava tudo: meu quimono, minhas refeições e, se não fosse ele, eu não estaria na seleção, não seria campeã mundial, campeã olímpica hoje.
Qual mensagem você gostaria de deixar para os judocas que estão iniciando uma carreira no esporte?
O judô transformou minha vida, e esse tem que ser o objetivo do esporte, mudar um pouco a nossa vida. Não é preciso ser um atleta de alto nível, mas que cada um possa ser um pouco professor, possa passar a experiência para outras crianças. Batalhar é essencial porque não é fácil chegar lá. E, principalmente, se você tem um sonho, tem que batalhar bastante, mas vai chegar uma hora que você vai conseguir realizá-lo.
Hoje em dia, qual é o seu sonho?
Uma nova medalha olímpica.