Darfur: ONU diz que conflito que já dura dez anos só pode ser resolvido politicamente

A violência pirou nas últimas semanas, quando uma onda de ataques contra as forças de paz e um surto de violência interétnica eclodiram.

Representante da UNAMID no Conselho de Segurança. Foto ONU/Eskinder Debebe

A situação de segurança em Darfur permanece volátil. De acordo com a declaração do chefe da Missão Conjunta da União Africana e das Nações Unidas para Darfur (UNAMID), Mohamed Ibn Chambas, nesta quarta-feira (24), em meio aos combates entre as forças governamentais e os rebeldes sudaneses, começou uma onda de ataques contra as forças de paz e um surto de violência interétnica.

“À medida em que entramos no décimo ano do conflito em Darfur, é evidente que a única solução … deverá ser política”, disse Chambas ao Conselho de Segurança da ONU em Nova York. O chefe da Missão também pediu esforços intensificados para acelerar o processo de paz, que de acordo com ele, estava sendo implementado em “um ritmo inaceitavelmente lento”.

Chambas disse que os confrontos interétnicos são “particularmente preocupantes”, visto que o aumento da militarização e a proliferação de armas entre os civis em Darfur – acompanhado pela deterioração das condições humanitárias para as comunidades anfitriãs e as populações deslocadas, que somente em 2013 somam mais de 250 mil pessoas – levou a mais mortes, lesões e deslocamentos que os combates entre o Governo e os grupos rebeldes.

Os confrontos também levaram a quatro ataques contra forças de paz da UNAMID nos últimos quatro meses. O incidente mais recente ocorreu no dia 13 de julho, quando sete soldados da Tanzânia foram mortos e outros 17 membros da Missão ficaram feridos em uma emboscada. De acordo com Chambas, o Governo do Sudão iniciou investigações internas e externas para trazer os responsáveis à justiça.

O chefe da Missão também reiterou o apoio da ONU ao Documento de Doha para a Paz em Darfur (DDPD), que, negociado com o apoio do Governo do Qatar, constitui a base para um cessar-fogo permanente e um amplo acordo de paz para acabar com o conflito. O Governo sudanês e dois dos principais grupos rebeldes comprometeram-se ao DDPD.

Chambas afirmou que durante as suas negociações com os líderes regionais, três chefes de Estado – de Uganda, Tanzânia e Chade – concordaram em persuadir grupos não-signatários a renunciar à violência e vir para a mesa de negociações com o Governo do Sudão, sem condições prévias. “Esperamos que isso leve a negociações formais com o Governo do Sudão”, disse ele. “Esse conflito não pode ser e não será vencido pela força das armas mas sim através de um diálogo político”.