Conflito que já dura dez anos tem 2 milhões de deslocados internos e 3,5 milhões de pessoas, ou 30% da população da região, recebendo ajuda humanitária. Desde 2003 já morreram 300 mil pessoas.
Conflito que já dura dez anos tem 2 milhões de deslocados internos e 3,5 milhões de pessoas, ou 30% da população da região, recebendo ajuda humanitária. Desde 2003 já morreram 300 mil pessoas.

Centro para mulheres dentro do campo para deslocados internos de Abu Shouk, no norte de Darfur, no Sudão. Foto: UN News
Os últimos meses têm sido marcados por um significativo agravamento da situação humanitária e na segurança em Darfur, no Sudão, alertou o subsecretário-geral da ONU para operações de manutenção da paz, Hervé Ladsous, na quinta-feira (23), ao Conselho de Segurança da Organização. Ele pediu que todos os envolvidos no conflito da região se juntem para negociar um cessar-fogo permanente.
Ladsous ressaltou que o Documento de Doha para a Paz em Darfur, que constitui a base para o cessar-fogo e o acordo de paz, obteve progressos limitados e não beneficiou diretamente a população da região, incluindo cerca de 2 milhões de deslocados internos.
Até agora, o governo sudanês e dois grandes grupos rebeldes – o Movimento de Libertação e Justiça (MLJ) e o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI) – assinaram o documento.
O chefe da Missão Conjunta da União Africana e da ONU para Darfur (UNAMID), Mohamed Ibn Chambas, disse na quinta-feira (23) que irá ampliar os esforços para as conversações sobre a paz entre o governo e os rebeldes que ainda não assinaram o documento.
“A mediação vai explorar todos os meios possíveis – parceiros nacionais, regionais e internacionais – para encaminhar todos os lados à mesa de negociação para alcançar a verdadeira paz que o povo de Darfur merece”, disse Chambas, acrescentando que uma agenda de desenvolvimento que melhore as condições socioeconômicas e incentive o retorno de deslocados e refugiados deve ser implantada.
300 mil pessoas mortas desde 2003
O número total de deslocados internos aumentou para quase 2 milhões, com uma estimativa de 400 mil pessoas forçadas a fugir de novos focos de conflito no ano passado, observou Ladsous.
“Deslocamento prolongado, insegurança alimentar e falta de serviços básicos são a causa da vulnerabilidade crônica na região”, afirmou, acrescentando que as taxas de desnutrição estão acima dos limiares de emergência em todos os cinco estados de Darfur e menos de 10% da população tem acesso a água potável e saneamento básico.

Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir a situação em Darfur. Foto: ONU /Paulo Filgueiras
Ladsous também disse que as necessidades humanitárias devem permanecer altas este ano em Darfur, onde cerca de 300 mil pessoas morreram desde que os combates entre grupos rebeldes e forças governamentais começaram em 2003.
Um total de 3,5 milhões de pessoas, cerca de 30% da população da região, recebe assistência humanitária da comunidade internacional.