Representantes das Nações Unidas, do governo federal e da cidade de São Paulo e da comunidade árabe no país chamaram a atenção para a crise de refugiados mais antiga do mundo e o papel do Brasil no apoio desta causa.
A crise de refúgio mais antiga do mundo mostra sua evolução ao longo dos últimos 65 anos através de uma exposição de fotografia inédita no Brasil. Batizada de “Uma Longa Jornada”, a mostra foi inaugurada no último sábado (24), em São Paulo, e contou com o debate “Refugiados da Palestina: ajuda humanitária e o papel do Brasil“ que reuniu participantes das Nações Unidas, do governo federal e da cidade de São Paulo e da comunidade árabe no país.
O diretor do Centro de Informação da ONU (UNIC), Giancarlo Summa, mencionou que apesar de várias ações adotadas, a situação na Palestina continua a representar uma ferida aberta para a comunidade internacional. Para as Nações Unidas, os refugiados são o “elo mais frágil da corrente” e por isso a Organização assumiu a função de proteção dos refugiados e a busca por soluções duradouras para seus problemas.
Summa ressaltou o efeito imediatista da “última crise”, que congrega muita atenção em seu momento, mas leva ao esquecimento da anterior e da raiz do problema. A exposição serve, neste caso, para conscientizar e chamar a atenção para a origem da saga do povo palestino e manter o foco sobre seu desenvolvimento.
Como o mundo vivendo a pior crise de refugiados desde o fim da 2ª Guerra Mundial – com o registro de mais de 54 milhões de pessoas, o diretor do UNIC elogiou o papel solidário do Brasil que atualmente acolhe os refugiados, principalmente de países em guerra, como a Síria.
Para o presidente do Instituto da Cultura Árabe (ICArabe), Salem Nasser, a coleção de imagens retrata “uma tragédia coletiva”- não só para o povo palestino, mas para toda a comunidade dos homens”, que permitiram o desaparecimento paulatino de um povo e nação.
Relevância do Brasil
Já o chefe da Coordenação Geral de Ações internacionais de Combate à fome (CGFOME) do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, ministro Milton Rondó, lembrou da relevância do Brasil e sua responsabilidade como único país da América Latina no comitê construtivo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
Dentro deste contexto, a exposição possui o importante papel de angariar apoio dos brasileiros para esta prioridade. “Se não tivermos esse apoio, não conseguiremos dar a resposta necessária que é imensa”, disse Rondó, enfatizando que é necessário encontrar uma solução política para este conflito.
A assessora de Relações Exteriores da UNRWA, Paz Fernandez, afirmou que a exposição fotográfica é a melhor maneira de narrar a historia do refugiado palestino. Na ocasião, ela também agradeceu e ressaltou a contribuição brasileira aos esforços da agência nos últimos anos. “O apoio do Brasil aos refugiados é um exemplo perfeito de compromisso político e ajuda material às necessidades deles”. Nos últimos cinco anos, de acordo com Paz, o país já repassou quase 10 milhões de dólares aos programas de saúde, educação e alimentação. “Este apoio tem sido importantíssimo para os refugiados de todas as nações, principalmente para os 800 mil pessoas que dependem de assistência alimentar.”
Mostra “Uma Longa Jornada”
A mostra “Uma Longa Jornada” é uma iniciativa da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e o UNIC Rio, com o apoio do ICArabe, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e do Atelier Marko Brajovic.
O debate contou ainda com do chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo (SMDHC), Giordano Magri, representando Rogério Sottili.
Sobre a exposição
Composta por 40 fotos e cinco curtas-metragens (os filmes têm curadoria doICArabe), “Uma Longa Jornada’’ conta a história da prolongada crise de refugiados. Por meio de fotografias históricas e filmagens do arquivo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), o espectador pode testemunhar um dos mais longos casos de migração forçada da história moderna, as violações de direitos humanos perpetradas e os desafios enfrentados pelos refugiados da Palestina.
As fotos retratam diversos períodos da história da Unrwa e dos refugiados palestinos. Elas mostram momentos desde agosto de 1948, quando 700 mil pessoas foram deslocadas em consequência do conflito com Israel, passando pelas duas Intifadas (levante palestino contra a ocupação israelense) em 1987 e no ano 2000, até os dias atuais, quando os refugiados palestinos estão sendo afetados pela guerra civil na Síria.
As imagens fazem parte do acervo de fotos da Unrwa, que é composto por 430 mil negativos, 10 mil fotografias, 85 mil slides, 75 filmes e 730 fitas de videocassete. Em 2009, esse acervo foi todo digitalizado e incluído no Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O conceito da montagem da exposição no Brasil foi desenvolvido pelo arquiteto Marko Brajovic.
São Paulo é a primeira cidade da América Latina a receber a exposição A longa jornada. A mostra foi organizada pela primeira vez em 2013, na cidade de Jerusalém. Depois passou por Amã, Dubai, Gaza, Roma, Turim, Nova York, Jacarta e Marrakesh. Há planos ainda de levar a exibição ao Rio de Janeiro e Brasília. No Brasil, o projeto foi desenvolvido exclusivamente pelo escritório de arquitetura e design Atelier Marko Brajovic, apoiador do evento e mostra também o trabalho da UNRWA nos cinco locais onde atua (Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria).
