Na Assembleia Geral da ONU, líderes pedem união global para pôr fim a múltiplas crises

Seguindo a tradição, a presidenta Dilma Rousseff abriu o debate geral pedindo maior dinamismo econômico que promova maior igualdade entre países.

Seguindo a tradição, a presidenta Dilma Rousseff abriu o debate geral pedindo maior dinamismo econômico que promova maior igualdade entre países.

Presidenta brasileira, Dilma Rousseff, discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Mark Garten

Presidenta brasileira, Dilma Rousseff, discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

“Foi um ano terrível para os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, lembrou o secretário-geral da ONU no seu discurso de abertura da 69a sessão do debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira (24).

“Hoje enfrentamos mais crises provocadas pelo homem do que calamidades naturais. Não podemos controlar a Mãe Natureza, mas quem diferente de nós mesmos poderá ser responsável por garantir a paz e a justiça no nosso mundo?”, perguntou Ban Ki-moon aos 193 representantes de países e mais de 2 mil profissionais da mídia presentes.

O número de refugiados, deslocados internos e requerentes de asilo é o maior desde o final da Segunda Guerra Mundial, destacou o chefe da ONU, o que exige que as Nações Unidas trabalhem com afinco para alcançar milhares de pessoas que necessitam ajuda humanitária.

Enumerando os diversos conflitos mundiais, Ban destacou que, apesar de parecer que o “mundo está desmoronando”, os líderes globais têm o dever de encontrar soluções para essa realidade. Para isso, é necessário antecipar os problemas e alcançar um consenso político rápido para dar resposta às questões existentes, lembrando aos 15 membros do Conselho de Segurança que quando o organismo “age unido, vemos resultados”.

A igualdade de gênero também apareceu no topo da agenda do chefe da ONU, que citou como mulheres e meninas sofrem mais em todos os tipos de crise – desde a pobreza, passando por situações de desastre e doenças até temas como alfabetização. “Não podemos chegar a 100% do potencial mundial ao excluir 50% do população do mundo.”

Ban também convocou os países-membros a financiarem esforços liderados pelas Nações Unidas nas ações de combate à mudança climática, na agenda pós-2015 e na “crise sem precedentes” do surto de ebola na África Ocidental.

Brasil na Assembleia Geral

Seguindo a tradição, a presidenta Dilma Rousseff foi a primeira chefe de Estado a discursar no encontro dos 193 líderes mundiais. A líder brasileira destacou os esforços do país em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio antes do seu prazo final, que concluirá em 2015, principalmente em matéria de igualdade social, promoção de educação e eliminação da fome.

Dilma também insistiu na necessidade de retomar o dinamismo do crescimento global, principalmente voltado para diminuir as desigualdades entre os países. Para ajudar esse processo, a presidenta solicitou uma maior participação de outros países nos processos decisórios do Sistema das Nações Unidas, dando voto para os países em desenvolvimento no Fundo Monetário Internacional, no Banco Mundial e no Conselho de Segurança.

“É inaceitável a demora na ampliação do poder de voto dos países em desenvolvimento nestas instituições. O risco que estas instituições correm é o de perder sua legitimidade e sua eficiência”, disse.

Sobre o aumento da insegurança mundial, a presidenta condenou o uso da violência para solucionar as hostilidades vigentes em várias regiões do mundo e lembrou que “o uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos”.

Para ilustrar um caso concreto, mencionou a crise entre Israel e Palestina, em que destacou que a única solução viável para pôr fim às hostilidades conduz a dois Estados – Palestina e Israel – “vivendo lado a lado e em segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas”.