Porta-voz de um dos principais partidos políticos também afirmou que as pessoas homossexuais são “piores que cachorro”. As declarações foram feitas no começo de janeiro por liderança em sua página no Facebook.

Bandeira do movimento LGBT. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camacho
O Escritório de Direitos Humanos da ONU expressou neste sábado (22) sua preocupação com os desenvolvimentos recentes no Malauí, após o porta-voz de um dos principais partidos políticos afirmar que pessoas gays e lésbicas deveriam morrer e que eram “piores que cachorros”.
As declarações foram feitas no começo de janeiro por Kenneth Msonda, membro do Partido Popular, em sua página pessoal do Facebook e repetida em diversas entrevistas para a mídia, disse o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUR), Rupert Colville.
Um processo foi aberto contra Msonda por duas organizações da sociedade civil e, posteriormente, ele foi convocado a apresentar-se ao Tribunal Magistrado de Blantyre sob acusação de incitar outros a violar a lei. No entanto, o porta-voz afirmou que o diretor do Ministério Público decidiu arquivar o caso, alegando que o Estado não processaria Msonda.
Para o porta-voz da ONU, o arquivamento do caso pode significar uma mensagem perigosa que “incitar outros a matar pessoas gays é legítimo e será tolerado pelas autoridades”, encorajando ameaças e ataques violentos contra a comunidade homossexual no Malauí.
Em maio de 2015, o Malauí aceitou a recomendação da Revisão Periódica Universal do Conselho de Direitos Humanos de “tomar medidas efetivas para proteger as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgênicas e intersexuais da violência e julgar os atores de ataques violentos”.
Colville lembrou que o governo do Malauí tem a responsabilidade de proteger todos os indivíduos de atos de ódio ou violência baseados na orientação sexual ou identidade de gênero, bem como de responsabilizar a todos aqueles envolvidos nesta prática ou que incitem a violência. “Instamos o governo a cumprir com suas responsabilidades neste sentido”, concluiu o porta-voz.